TARYN
Meus pensamentos me traem, roubando minha atenção enquanto caminho de volta para a tenda do meu pai. Assim que entro, encontro minha irmã lá dentro, sentada com as mãos sobre o colo, sozinha em um canto com pouca iluminação, como se tivesse sido esculpida para parecer frágil. Meu pai fala baixo com alguns conselheiros, mas para de imediato ao me ver. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, Kalinda ergue o olhar devagar e me encontra.
Minha irmã parece uma pintura delicada e trágica, tudo meticulosamente colocado para inspirar pena. As mãos juntas, o rosto abatido, os olhos marejados como se o mundo tivesse acabado de desabar sobre ela.
— Então é verdade… — ela sussurra, a voz quebrada como cristal. — Você quer roubar meu marido.
Rir seria um insulto. Meu estômago revira.
Lágrimas escorrem pelas suas bochechas.
Lágrimas.
Por um segundo, penso que são reais. Mas então noto o pequeno tremor ensaiado do lábio inferior, o modo como ela vira o rosto só o suficiente para que a luz re