POV ZOE
Quando o primeiro dia terminou, eu estava cansada.
Mas era um cansaço diferente.
Não aquele cansaço de fugir, de perder, de chorar em silêncio num banheiro, de passar fome e segurar dignidade com os dentes. Era outro. O corpo pesado, os pés doloridos, os braços sentindo o trabalho repetido, a cabeça cheia de nomes, panelas, bancadas, facas, ordens e o rosto ainda quente do vapor da cozinha.
Cansaço de quem fez alguma coisa.
Cansaço de quem, no fim do dia, pode olhar para as próprias mão