Mundo de ficçãoIniciar sessão(…)
Liza Um contrato de casamento? Duzentos mil dólares por mês? Estarei casando com o cara mais disputado de Dallas, todos sabemos que Lorenzo ficou solteiro há alguns meses, mas o caso do término foi abafado pela própria família, ninguém sabe o que houve e deixou todos curiosos. Até então, ele vem sendo o solteiro mais cobiçado, eu sinceramente não me importo com isso, até porque não tenho chances de ficar concorrendo com as outras garotas, não tenho experiência nenhuma com homens. — Nastásia isso seria loucura, eu não posso… — Liza acorda! - Me interrompeu. — É a sua chance de mudar de vida e salvar a do seu pai. Suspirei e olhei aquele papel sobre a mesa, eu nunca tive um relacionamento antes e isso não era o que esperava pra mim, sonhava em conhecer um cara, me apaixonar, namorar, noivar, casar e construir uma família, agora um contrato de casamento? Eu nem se quer sei me comportar perto de um homem direito. — Eu vou indo para boate, fique a vontade e fica tranquila, Jonas vai entender, você nem vai precisar mais desse emprego mesmo. Disse enquanto se encaminhava em direção a porta, jogou um beijo e logo saiu. Suspirei, eu tenho sorte de tê-la como amiga, por ter me cedido um espaço do seu apartamento, se não fosse por ela, hoje eu não saberia por onde iria estar.*CONTRATO* 1 - Cláusulas de Convivência e Regras: 1.1 - Não se apaixonar, fica expressamente proibido o desenvolvimento de quaisquer sentimentos romântico, amorosa ou de apego emocional entre ambos. 1.2 - As partes devem demonstrar afeto público convincente. Isso inclui, mas não se limita a: mãos dadas, olhares prolongados e presença conjunta em todos os eventos. O beijo é considerado uma violação grave de contrato, pois ultrapassa o limite da "simulação técnica" e entra na esfera da intimidade pessoal não negociável. 1.3 - Exceções: Beijos na mão, na face ou na testa são permitidos exclusivamente se a situação social exigir uma demonstração extrema de afeto para evitar suspeitas. 1.4 - É proibido questionar o outro sobre sua vida pessoal, passado ou encontros fora do contrato. O silêncio sobre assuntos íntimos é a regra de ouro. 1.5 - Dentro das paredes da residência, os dormitórios serão rigorosamente separados, não deve ser cruzado a linha. 2 - Da Vigência e Objetivo 2.1 - O presente contrato tem duração estrita de cinco meses. 2.2 - O objetivo exclusivo é garantir a herança. Qualquer envolvimento pessoal é expressamente proibido.2.3 - O contratante pagará duzentos mil doláres por mês, até o fim do contrato.
3 - Das Restrições e Multas 3.1 - (Fidelidade de Fachada): Nenhuma das partes pode ser vista com terceiros. 3.2 - (Referente a cláusula 1.1): Caso uma das partes se apaixonam e desenvolvem sentimentos comprovados, esse deverá pagar uma multa de quinhentos mil dólares para à outra parte. 4. Da Dissolução 4.1 - No 151º dia, o divórcio será assinado de forma amigável e silenciosa. 4.2 - (Cláusula de Confidencialidade): Após o término, as partes tornam-se estranhas. É proibido qualquer contato posterior. Cinco meses e depois cada um vive a sua vida, a questão aqui é, como irei conseguir viver dessa maneira? Estarei casada mas não, não poderei mais trabalhar na boate, muito menos viver a minha vida pois logo meu rosto será conhecido pelo mundo inteiro, pelo menos não precisarei ter tanto contato físico, como beija-lo. Mas essa multa é um absurdo, e se isso acontecer? Eu sei, acredito que uma pessoa não se apaixona pela outra dessa forma, iremos ser praticamente dois estranhos morando na mesma casa, isso me soa estranho, eu não posso aceitar. Meu celular começou a tocar incansavelmente, quando olhei para ver quem estava me ligando, era do hospital, senti minhas mãos tremulas, meu coração quase parou, imediatamente atendi. — Alô? - Quase que minha voz não sai. — Senhorita Liza Backer? — Ela mesmo, o que houve? Aconteceu alguma coisa com meu pai? — Não senhorita, só ligamos para informar que a cirurgia do seu pai foi agendada para amanhã as quinze horas da tarde. - Franzi minha sobrancelha, eu ouvi direito? — Como? — Isso mesmo senhorita, a cirurgia do seu pai está agendanda para amanhã, caso deseje vê-lo, poderá receber visita somente até meio dia. — É claro. Mas como que a cirurgia dele foi marcada? Eu ainda não consegui o dinheiro. — Alguém fez o depósito essa tarde. — Sabe me dizer quem foi? — Sinto muito, não tenho informações sobre. — Ok, muito obrigada. Desliguei a ligação, Lorenzo fez o pagamento sem saber se eu iria aceitar esse contrato? Ele simplismente acha que poderá ter controle assim? No contrato mesmo diz que sobre a vida pessoal de cada um, não se deve ser mencionado. Meu celular vibrou novamente, desse vez com uma notificação de mensagem de um número desconhecido, ao abrir, percebo a foto de Lorenzo, ah meu Deus, como ele conseguiu meu número? Claro, nos registro de funcionários Liza, só pode ser. — *Estou no aguardo da vossa senhoria, onde se encontra?* - Antes que eu pudesse responder, meu celular começou a tocar, era ele, atendi receosa. — Liza onde você está? - Questionou curto e grosso. — Em casa. — Não, eu estou em frente ao seu apartamento e o porteiro me informou que você se mudou essa tarde. - Suspirei, ele realmente não aprestou atenção quando contei á ele o que estava passando, mas embora alguma parte disso tudo ele ouviu para me fazer essa proposta e ter pago o hospital minha dívida. — É uma longa história. — Onde você está? Precisamos conversar. — Eu vou te passar o endereço. Ele desligou, quanta grosseria, eu aguentaria mesmo ser casada com um homem desses? Mesmo sendo um casamento de fachada e não termos contato sem estar publicamente, será que vale a pena? Balancei a cabeça, é claro que vale a pena, são apenas cinco meses Liza, seu pai estará fazendo a cirurgia amanhã e se não fosse por esse contrato, talvez não conseguiria nem salvar a vida do seu pai. Dei um pulo com o interfone tocando, permiti sua entrada, corri para o banheiro dar uma ajeitada no meu visual, não é que isso importe muito mas também não iria aparecer degrenhada na frente do meu chefe. A campainha logo tocou, suspirei fundo e segui para atender, minhas mãos suavam, porque estou tão nervosa? — Oi. Ele apenas assentiu, dei espaço para o mesmo entrar, podendo sentir seu perfume amadeirado, fechei a porta e seguimos para sala, onde se accomodamos no sofá. Lorenzo olhou para o contrato que estava em cima de mesinha de centro, era estranho encontrar com ele fora do escritório, sem estar com um terno e confesso que ve-lo dessa forma despojado, com uma camisa branca de botões, uma calça jeans, era muito melhor. — Pelo visto você leu ou estava lendo o contrato. - Ele arqueou uma de suas sobrancelhas, nossos olhos se cruzaram. — Eu li mas logo em seguida me ligaram do hospital, foi você não foi? - Ele deu um sorrisinho de canto. — Foi eu. — E porque você fez isso? E se eu não aceitar o contrato? - Arregalei os olhos, pensei alto demais. Lorenzo apoiou os cotovelos sobre a perna, se inclinando para frente, seus olhos fixos aos meus. — Porque eu sei que você não vai recusar esse contrato. Abri e fechei a boca algumas vezes, quanta ousadia da parte dele, eu estou precisando sim desse dinheiro mas isso não dá o direito dele decidir algo que eu ainda cogitava se aceitava ou não. — Pois você está errado. Eu preciso muito desse dinheiro senhor... — Lorenzo, pare de me chamar de senhor. - Me interrompeu, limpei a garganta antes de voltar a falar. — Isso que você fez, foi tomar uma decisão por mim e no contrato diz: cláusula 1.4 , é proibido questionar o outro sobre sua vida pessoal, passado ou encontros fora do contrato. O silêncio sobre assuntos íntimos é a regra de ouro. Ele levantou uma das sobrancelhas, voltou a se escorar, trazendo uma de suas pernas para apoiar na outra, ficando em silêncio, quem estava sendo ousada agora, era eu, o enfrentando dessa maneira, mas se iremos assinar um contrato que ele saiba que não terá poder nenhum sobre mim. — Interessante, você decorou muito bem as regras, isso se torna mais fácil. Liza não precisa se fazer de difícil, não iremos ter contato físico, apenas em frente ao público mas não será nada demais, você leu no contrato. Ficou com alguma dúvida? - Neguei a cabeça me sentindo pressionada. — Você está me pressionando. - Ele suspirou parecendo impaciente. — Você está com problemas, eu também tenho os meus, ofereci uma proposta para resolver o problema de ambos, agora se todavia você não quer salvar a vida do seu pai, posso cancelar a cirurgia dele agora mesmo. - Disse ele tirando o celular do bolso. Meu sangue ferveu tamanha raiva que ele estava me fazendo sentir, ele acha que terá controle sobre minha vida? Usando meu pai como meu ponto fraco? Assinei com raiva aquele bendito contrato, não poderia colocar a vida do meu pai em risco, em apenas um dia, Lorenzo pagou sua cirurgia. Ah papai me perdoa, mas estou fazendo isso para salvar você e te-lo de volta comigo - pensei.






