Cap.91
O motor do carro roncava baixo, o único som que quebrava o silêncio pesado entre nós. A mão dele envolvia a minha — firme, quente, uma âncora em meio ao turbilhão da noite. Eu sentia o cansaço dele no ar, uma tensão diferente da habitual. Não era a frieza calculista, mas o esgotamento de quem carregou um peso maior do que os ombros aguentam.
— Podemos ir para o meu apartamento? — a voz dele saiu rouca, mais um pedido do que uma ordem.
Eu só consegui acenar, o corpo ainda tremendo por den