O banho quente lavou o cansaço do dia, deixando o corpo leve, quase flutuante.
Helena vestiu um pijama longo, de tecido macio, e sentiu o conforto se espalhar como um abraço silencioso.
Na cozinha, colocou o restante da comida que Lívia havia trazido para aquecer. Logo, o aroma do tempero espalhou-se no ar, misturando-se à quietude daquela noite que, enfim, trazia-lhe em paz.
Enquanto esperava, deixou a mente vagar — imaginou cortinas claras dançando com o vento, uma poltrona antiga ao lado da janela... pequenas ideias que, como pinceladas, dariam forma ao lar que ela finalmente sentia como seu.
O som breve de uma notificação interrompeu seu devaneio.
Pegou o celular sobre a bancada. Outra mensagem de Cássio.
“Vou precisar fazer uma viagem curta, mas depois de amanhã estarei de volta.”
Helena soltou um riso curto, sem humor.
“E quem se importa?”, pensou, balançando a cabeça.
Não havia espaço para ele ali — nem nas paredes, nem dentro dela.
Comeu devagar, aproveitando o som distante