“Não se negocia o valor de quem já aprendeu a se sustentar.”
Manoel se aproximou do grupo da Orsini e, ao avistar Helena, cumprimentou a todos antes de dirigir-se a ela. Foi recebido com um sorriso aberto, daqueles que ela reservava para quem trabalhava ao seu lado.
— Está tudo bem por aqui? — perguntou ele, um pouco encabulado.
Helena franziu levemente o cenho ao notar a expressão dele.
— Está, sim… por quê? Aconteceu alguma coisa?
— Eu… — hesitou por um segundo. — Acabei de esbarrar com o senhor Amaral e com o senhor Ferreira. Eles também vão expor na feira.
As sobrancelhas de Helena se ergueram, surpresa genuína. Ao seu lado, Pedro mudou imperceptivelmente de postura; o corpo relaxado tornou-se atento, os olhos varrendo o entorno com precisão automática.
Helena levou um instante para absorver a informação. Quando falou, sua voz saiu firme, sem vestígios de incômodo.
— Bem, a feira é aberta — disse, com naturalidade. — Não há como impedir concorrentes de participarem também.
Manoel