“Não existe obra sem passado. O que se chama de começo é apenas mais uma camada.”
Santiago se despediu de Helena e seguiu de volta para a galeria. Ela retornou para a Orsini acompanhada de Pedro e de sua equipe. Já era fim de tarde quando se sentaram com Manoel para alinhar os últimos detalhes da produção — ao menos das primeiras peças que seriam utilizadas no estande. Era hora de transformar conceito em matéria, ideia em cronograma.
Com a etapa de criação das novas peças finalmente concluída, Helena orientou a equipe a finalizar os ajustes da coleção de equipamentos vintage. O projeto seguia firme, bem encaminhado, então poderia se ausentar por um tempo.
Ver a arte de Nicolas despertara algo nela. Havia dias que não se dedicava à pintura — e, se realmente pretendia expor sua arte um dia, sabia que precisaria se entregar mais.
Assim, os dois dias seguintes foram quase inteiros passados no quintal de casa, imersa entre telas, pincéis e tinta. O tempo parecia diluir-se ali, marcado apen