“Sinto um vazio dentro de mim, uma coisa que não sei como explicar, é tipo um vazio que "preenche" toda minha alma, uma coisa que parece que vai explodir a qualquer hora…”
Cássio assistia à transmissão sem piscar.
A câmera passeava pelo showroom com movimentos lentos, quase cirúrgicos. Os móveis surgiam enquadrados com precisão excessiva — aço, vidro, linhas duras. Nada fora do lugar. Nada vivo demais.
Era bonito.
Era eficiente.
Era… vazio.
Ele reconhecia aquilo. Reconhecia demais.
Para ele, inércia não era um conceito, era um estado.
Viu Renato falar. As palavras corretas. O tom exato. As desculpas ensaiadas pela ausência. Tudo sob controle.
Os comentários elogiosos surgiam na transmissão, mas que aquele sucesso não o salvava. Apenas o mantinha em pé.
Uma hora depois, a transmissão chegou ao fim. Cássio passou a alternar as abas do navegador com atenção quase obsessiva — redes sociais, portais de decoração, revistas especializadas em design de interiores para as quais a assessoria j