“Por mais firme que seja o traço, sempre há uma parte da alma que escapa junto à tinta.”
Pedro abriu a porta do carro para Lívia entrar, lembrando-se da pequena cena que ela fizera na pizzaria só para obrigá-lo a agir daquele jeito.
— Ora, ora… — ela provocou, acomodando-se no banco. — Parece que alguém está aprendendo.
— Não se empolga — respondeu ele, seco. — Só quis evitar o seu drama.
Fechou a porta e tomou o lugar do motorista.
— Sabe… — Lívia continuou, com um meio sorriso — você posa de durão, mas no fundo isso é só fachada.
Pedro bufou, ligou o carro e arrancou. Durante o trajeto, ela o observava de soslaio: os músculos dos braços tensionados ao girar o volante, o maxilar firme, a atenção concentrada na estrada. Ele percebeu o olhar e virou o rosto para o lado, tentando esconder o sorriso que insistia em surgir.
— Tenho que admitir uma coisa — disse, depois de alguns segundos. — Você é realmente muito boa no que faz. Quero dizer… tudo isso da Helena com aquele idiota. Você deu