03 — AUSÊNCIA

KILLIAM

Foi como se o mundo desaparecesse por um instante. Uma onda brutal de prazer me atravessou, arrancando de mim um gemido rouco enquanto eu me desfazia dentro dela.

Meu lobo rugiu — rouco, possessivo.

Meus olhos brilharam com a intensidade do momento e, naquele instante, eu soube: não havia mais volta.

Eu era dela.

Ao sentir sua marca, meu corpo ganhou vida própria, pulsando com uma energia crua e selvagem. Cada fibra parecia incendiada, e a fome que sentia por Aurora cresceu de forma quase insuportável — urgente, primitiva — como se cada batida do meu coração gritasse por ela.

Num movimento firme, virei-a, colocando-a de bruços e erguendo seus quadris ao meu encontro.

Meu lobo se impôs, e Aurora se entregou sem resistência. Mesmo sem tê-la marcado ainda, sua loba já reconhecia o meu, entregando-se sem reservas.

Aquilo despertou em mim uma satisfação instintiva — poder e pertencimento misturados — e voltei a me mover com intensidade, marcando cada investida como uma promessa silenciosa.

A forma como me olhava por sobre o ombro… a maneira como se arqueava para mim… tudo nela era um convite. Ela queria que eu assumisse o controle.

E eu assumi.

Movi-me com ritmo e força, sentindo cada reação dela incendiar ainda mais meus sentidos.

— Ki-Killiam… — gemeu. — Eu vou gozar…

— Goze para mim — minha voz saiu rouca, animalesca, arrancada do fundo da alma.

E quando ela se entregou ao prazer, eu fui junto.

Perdi-me outra vez dentro dela, como se tudo em mim — carne, alma e lobo — tivesse se rendido àquele momento.

Antes que eu pudesse recuperar o fôlego, vi seu corpo relaxar sobre a cama: exausto, suado, mas sereno.

Deitei-me ao seu lado, ainda ligado a ela, e a puxei para junto de mim, mantendo-a envolta em meus braços como se fosse parte do meu próprio corpo. E dessa forma, o sono nos venceu.

Adormeci certo de que ela ainda estaria ali quando eu abrisse os olhos. Mas, ao despertar e estender a mão para o lado, encontrei apenas o lençol frio.

Meu lobo rosnou em frustração pela ausência dela.

Levantei-me e percorri cada canto daquele espaço montado sobre o restaurante, cada cômodo que ela pudesse ter tocado. Era como se ela tivesse evaporado.

Por um instante, uma dúvida cruel me atravessou — e se tudo aquilo tivesse sido apenas um sonho?

Mas, ao chegar ao banheiro e encarar meu reflexo no espelho, a marca dela estava ali.

Viva.

Pulsando sob a minha pele no mesmo ritmo do meu coração, como se Aurora tivesse deixado um pedaço dela cravado em mim.

Meu corpo estremeceu. Meu lobo se aquietou por um segundo — não em submissão, mas em reconhecimento.

Ela havia me marcado como seu — e ainda assim partiu.

Dois dias.

Dois malditos dias que pareceram uma eternidade.

Procurei por ela em toda região, mas não havia sinal algum. Apenas o vazio ecoando dentro de mim como um uivo preso na garganta.

A marca em meu ombro latejava como uma ferida aberta — um lembrete constante de que ela existia… mas estava distante.

Mantinha-a escondida sob a camisa. Não queria que ninguém soubesse. Não queria que percebessem o quanto meu lobo havia baixado a guarda.

E o que eu não conseguia entender era por que ela fugiu.

Nunca fui impulsivo. Cada passo meu foi calculado. Até quando o mundo desabou sobre mim. Até quando a perda de Jade quase me arrastou junto.

Mas, naquela noite, ao tocar Aurora, ao sentir seus lábios nos meus… não houve lógica. Apenas ela. O calor da sua pele. O encaixe inevitável dos nossos corpos.

Eu havia cruzado uma linha.

Meu lobo estava irritado, frustrado e ferido — como se algo sagrado tivesse sido rompido.

E isso só reforçava uma certeza: Aurora escondia algo. Estava fugindo de alguma coisa.

E eu precisava encontrá-la.

Seu cheiro ainda permanecia em mim, um lembrete cruel do que aconteceu — e do que mudou para sempre. Suelen se aproximou, interrompendo meus pensamentos.

— Encontrei a loba de dias atrás — disse ela, ciente de que Aurora havia mexido comigo, mas sem imaginar até onde aquilo tinha ido.

Meu corpo enrijeceu.

— Então… ela não partiu? — perguntei, incapaz de esconder totalmente a surpresa.

Suelen arqueou uma sobrancelha.

— Depois da forma como você a tratou no restaurante, não me surpreenderia se tivesse ido embora. Mas, ela ficou. E… concordou em conhecer nossa alcateia.

Cruzei os braços, tentando esconder a tensão que me atravessava.

— Não gosto de estranhos no meu território.

— Não seja idiota, Killiam. Você sabe que aquela loba não oferece risco algum. Ela parece… sozinha. Talvez precise disso.

As palavras dela ecoaram.

— Não sei explicar — continuou Suelen — mas aquela loba me parece assustada. Está sempre olhando por cima do ombro. Como se estivesse fugindo de algo.

Meu lobo se agitou imediatamente. O instinto de proteção aguçou meus sentidos.

— Por que você está dizendo isso?

— É só uma sensação.

Por mais que eu tentasse manter o controle, algo queimava sob minha pele — não apenas irritação, mas frustração. Ela fugiu da minha cama como se eu não significasse nada.

Meu orgulho ainda sangrava. E agora ela surgia novamente… pisando na minha alcateia sem sequer me procurar. Parte de mim ardia em fúria.

Mas outra parte — aquela que eu jamais admitiria em voz alta — sentia expectativa.

Pois bem.

Se ela acreditava que podia entrar no meu território como se nada tivesse acontecido, estava enganada.

Ela podia ter fugido da minha cama.

Mas não fugiria do meu território.

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