Mundo de ficçãoIniciar sessãoO caminho de volta foi silencioso, mas não havia desconforto entre eles. Elena estava recostada no banco macio do carro, com a cabeça levemente apoiada no ombro de Dante, ainda sentindo a energia de tudo o que tinha acontecido. As imagens de Felipe e Carla, com medo e derrotados, passavam pela sua mente, e um sorriso tranquilo, de vitória, se formava nos seus lábios. Ela tinha provado para todos — e principalmente para si mesma — que não era mais a mesma mulher frágil que tinham pisado e descartado. E tudo isso era graças a ele. Ao homem que, de repente, entrou na sua vida como uma tempestade, e que agora parecia ser o seu porto seguro.
Dante dirigia com uma mão no volante e a outra entrelaçada firmemente na dela, como se tivesse medo que ela desaparecesse se soltasse por um segundo. De vez em quando, ele apertava os dedos, trazendo a mão dela até os lábios e beijando-a com carinho, um gesto que fazia o coração de Elena bater mais forte, misturando medo, desejo e uma sensação de pertença que ela nunca imaginou sentir. Quando o carro parou em frente à sua casa, ela esperava que ele apenas a deixasse ali, como das outras vezes. Mas ele desceu, deu a volta, abriu a porta para ela e não soltou a sua mão. — Vou entrar com você — disse ele, com a voz calma, mas sem deixar espaço para discussão. — A noite ainda não acabou, Elena. E há coisas que preciso dizer… e coisas que preciso fazer. Ela concordou com a cabeça, sentindo um arrepio percorrer todo o corpo. Entraram juntos, e assim que a porta se fechou atrás deles, o silêncio da casa pareceu mudar de tom. O ar ficou mais denso, mais carregado. A luz suave das lâmpadas do corredor iluminava o rosto de Dante, que a olhava com uma intensidade que a fazia sentir tudo: das pontas dos pés à raiz dos cabelos. Ele caminhou devagar até ela, sem soltar a mão, até que ficaram tão próximos que ela podia sentir o calor do corpo dele, o perfume amadeirado que já era parte do que ela reconhecia como seu. Ele levou uma das mãos até o rosto dela, acariciando a pele macia com o polegar, deslizando devagar pela bochecha, até chegar aos lábios. — Você foi perfeita hoje — sussurrou ele, os olhos escuros fixos nos dela, brilhando com um desejo que não tentava mais esconder. — Perfeita ao meu lado. Perfeita ao enfrentar aqueles dois. Perfeita em tudo. E ver o medo nos olhos deles… ver que eles finalmente entenderam o que perderam… foi a melhor coisa que já vi na vida. Mas saiba de uma coisa, minha querida: aquilo foi apenas o começo. Agora que todo mundo sabe que você é minha, ninguém vai ousar chegar perto. Ninguém vai ousar olhar, falar ou sequer pensar em te tocar. Porque se fizerem… vão pagar caro. Muito caro. Elena respirou fundo, sentindo as palavras dele entrarem fundo na sua alma. Parte dela ainda achava que era errado, que estava se entregando a um homem perigoso, poderoso, que tinha o mundo nas mãos e vidas na palma da mão. Mas outra parte… a parte que cada vez mais dominava o seu coração… sabia que nunca tinha se sentido tão viva, tão protegida, tão amada, mesmo que ele nunca tivesse dito essa palavra. — Eu não esperava… — começou ela, com a voz um pouco trêmula. — Não esperava que fosse assim. Não esperava que eu me sentisse tão… bem. Tão forte. Dante sorriu, um sorriso que misturava ternura e possessividade. Ele aproximou o rosto, até que os seus lábios ficaram a poucos milímetros dos dela. — Você não imaginava, porque nunca teve o que merece — respondeu ele, baixinho, com a voz rouca que fazia ela perder o juízo. — Felipe não sabia o que tinha nas mãos. Ele achava que você era algo para ter, usar e descartar. Mas eu… eu sei exatamente o que você é. Você é uma rainha, Elena. E rainhas não são tratadas como lixo. Rainhas são adoradas, protegidas, reverenciadas. E eu vou te dar tudo isso. E muito mais. Ele beijou-a então. Não foi um beijo qualquer. Foi um beijo que levou tudo o que ela tinha guardado, tudo o que ela sentia, tudo o que ela tentava esconder. Foi um beijo intenso, profundo, cheio de desejo, de posse, de uma paixão que parecia ter sido construída há muito tempo, mesmo que eles só se conhecessem há poucos dias. As mãos grandes e firmes dele deslizaram pela sua cintura, apertando-a contra o corpo forte, fazendo-a sentir cada músculo, cada linha, cada detalhe dele. Elena deixou-se levar, os braços envolveram o pescoço dele, e ela correspondeu com tudo o que tinha, como se estivesse entregando não apenas o beijo, mas todo o seu ser. Quando finalmente se afastaram, os dois ofegantes, os olhos dela brilhavam com lágrimas que eram de alegria, de alívio, de algo que ela ainda não sabia nomear. Dante acariciou os cabelos dela, arrumando os fios que tinham caído no rosto, com uma ternura que parecia impossível para um homem como ele. — Eu sei que tem medo — disse ele, com sinceridade, sem fingir que não via o que se passava dentro dela. — Sei que acha que está se metendo em algo que não pode controlar. E está certa. Você não me controla. Mas também não precisa. Porque eu sou eu quem controla tudo. E eu decidi que você vai ser feliz. Que você vai estar segura. Que ninguém nunca mais vai te ferir. Você é minha, Elena. E quando eu escolho algo… eu não largo mais. Nunca. Elena olhou nos olhos dele e, pela primeira vez, não viu apenas o perigo, o poder ou a escuridão. Viu também algo mais. Algo que parecia ser só dela. — Eu não entendo… — murmurou ela. — Por que eu? Por que eu, Dante? De todas as mulheres que você poderia ter… por que logo eu? Ele sorriu de novo, dessa vez com um brilho mais suave, quase doce. — Porque quando eu te vi, correndo daquela festa, chorando, humilhada… algo em mim mudou. Eu vi o que fizeram com você. Vi como te trataram como se não valesse nada. E algo dentro de mim gritou que aquilo estava errado. Que você valia muito mais. Que merecia o mundo. E desde aquele dia, eu não consegui mais tirar você da cabeça. Não consegui mais deixar de pensar que eu precisava te encontrar. Precisava te mostrar o que é ser tratada como merece. Precisava fazer você minha. Ele aproximou-se mais uma vez, sussurrando diretamente no ouvido dela, com uma voz que arrepiou todo o seu corpo: — Você acha que foi por acaso que eu apareci na sua porta? Que foi sorte nos encontrarmos de novo? Nada é por acaso no meu mundo, Elena. Eu fui até você. Eu decidi que seria eu quem iria te salvar. E agora… você está aqui. Comigo. E eu não vou deixar você ir embora nunca mais. Elena sentiu o coração disparar, mas não havia medo. Agora, só havia uma certeza: ela não queria ir embora. Não queria mais a vida que tinha antes. Não queria mais ser a mulher que sofria, que era desprezada, que não tinha voz. Ela queria ser essa mulher. A mulher que estava ali, nos braços do homem mais temido da cidade, que a olhava como se ela fosse o único tesouro que existia. — Eu não quero ir embora, Dante — respondeu ela, com a voz clara, firme, finalmente dizendo a verdade que já estava gravada no peito. — Não quero mais a minha vida antiga. Não quero mais nada do que eu tinha antes. Eu… eu quero ficar com você. Os olhos de Dante brilharam de vitória, de alegria, de uma satisfação que fez ele sorrir de um jeito que ela nunca tinha visto antes. Ele beijou-a novamente, com mais calma, mais carinho, como se estivesse selando um acordo que valia mais do que qualquer contrato, mais do que qualquer lei. — Então está feito — disse ele, ao se afastar, segurando o rosto dela com as duas mãos. — Agora você é minha de verdade. E amanhã… e todos os dias depois disso… vamos construir uma vida onde ninguém nunca mais vai ousar te olhar torto. Onde você vai ter tudo o que merece. E onde eu… finalmente… vou ter o que sempre quis. Ele olhou ao redor, pela casa simples, pequena, que ela chamava de lar. — Mas essa casa não é mais suficiente para você — disse ele, decidido. — Amanhã mesmo, vou providenciar tudo. Você vai morar comigo. Na minha casa. No lugar onde ninguém entra sem permissão. Onde você será a dona de tudo. Onde nada e ninguém vai chegar perto de você sem que eu permita. Elena abriu os olhos, surpresa, mas não recuou. Ela sabia que esse momento chegaria. Sabia que ao aceitá-lo, aceitava também tudo o que vinha com ele. E, naquele momento, ela percebeu que estava pronta. — Eu vou com você — respondeu ela, sem hesitar. Dante sorriu, satisfeito, e beijou-lhe a testa, demoradamente, como se fosse uma bênção, uma marca, uma promessa. — Agora descanse, minha querida. A noite foi longa, e amanhã começa uma vida nova para nós dois. Mas saiba de uma coisa: não importa o que aconteça, não importa onde estejamos… você está segura. Enquanto eu respirar, ninguém vai te tocar. Ninguém vai te ferir. Você é minha. E eu sou todo seu. Ele ficou mais um pouco, sentado ao lado dela no sofá, segurando a sua mão, até que ela começou a sentir o cansaço tomar conta do corpo. Quando ela já estava quase dormindo, ele levantou-se devagar, arrumou o cobertor sobre os ombros dela, beijou-a mais uma vez nos lábios, bem de leve, e saiu em silêncio. Quando a porta se fechou, Elena sorriu, de olhos fechados, sentindo um calor no peito que nunca tinha sentido antes. A vingança estava feita, o passado estava deixado para trás, e agora… tudo o que restava era o futuro. Um futuro ao lado do homem que, por pior que os outros dissessem que ele era, para ela… era o único que valia a pena. E naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, Elena dormiu profundamente, sem pesadelos, sem medos. Dormiu com a certeza de que, não importava o que viesse pela frente… ela não estava mais sozinha. E do lado de fora, Dante Moretti ficou parado alguns minutos, olhando para a janela do quarto dela, com um sorriso perigoso e satisfeito nos lábios. Ele tinha conseguido o que queria. Tinha-a ao seu lado. E agora… ele iria garantir que todos entendessem de uma vez por todas: Elena Varella não era mais uma mulher qualquer. Ela era a mulher dele. E quem mexesse com ela… teria que responder para ele. E ninguém, absolutamente ninguém, queria ter que responder a Dante Moretti.






