Enquanto Ive tentava se livrar das mãos de Matheus, a poucos metros de distância, um carro de aplicativo parou.
— Não quer mesmo ajuda, rapaz?
— Eu consigo!
Não era enxergar, não ainda!
Mas ele conseguia ver formas, cores borradas, luzes que pareciam explodir e isso já parecia tão maior do que havia sonhado conseguir.
O médico disse que Lucca podia viajar.
Era a notícia que precisava, só isso. Não aguentava mais ficar longe dela e na clínica, a frase de uma das enfermeiras o fez ter coragem.
— Você é um rapaz tão bonito, não deveria ficar tanto tempo sem comer.
“Bonito”
Podia ser mentira, mas até pouco tempo, ele não receberia nem mesmo uma mentira gentil.
Falou com o pai e conseguiu ajuda para “fugir” dos cuidados de Lara.
Muralha concordava que aquele afastamento já estava durando tempo demais e garantiu que o filho pudesse viajar.
Agora, Lucca respirava fundo tentando se lembrar das palavras do médico.
— Seus olhos funcionam Lucca, só precisa treinar o seu cérebro a inter