Silêncio...
Um silêncio pesado que falava mais alto do que qualquer outra coisa no mundo. Muralha só conseguia ouvir as batidas do próprio coração.
A voz dela era tão perfeita!
— Lara? Você está me ouvindo?
Do outro lado da linha, o celular caiu. Primeiro o baque acolchoado e depois, a respiração de Lara... curta, chorosa, dolorida.
— Você... você voltou, Lenhador.
No rosto de Muralha uma lágrima grossa e quente desceu sem aviso
— Eu nunca fui embora, Lara. Eu te amo.
E amava.
Amava tanto que várias vezes ele se pegou comprando a passagem errada.
Estava seguindo pistas que nem existiam, visitando hospitais, orfanatos, conferindo tudo... Até mesmo desenterrando corpos.
Cinco anos procurando vento, mas acreditava que a única forma de Lara o perdoar. Era se ele encontrasse a criança que ele não foi capaz de proteger.
E agora finalmente ele poderia pedir perdão.
Há quilômetros de distância e agarrada só aquele celular. O corpo da médica começou a tremer.
— Não! Não me faz isso, Lenhador!