O Desembargador Arnaldo Cavalcanti era um homem que habitava o topo da cadeia alimentar jurídica há décadas, um monumento de mármore e autoridade que acreditava ter visto todas as formas de traição humana. Em sua trajetória, ele já havia lidado com cartéis, conluios políticos e conspirações de Estado, sempre mantendo a calma gélida de quem detém o veredito final. Mas naquela tarde, no silêncio claustrofóbico de seu escritório forrado de couro e carvalho, a realidade que Vicente Rocha lhe aprese