Trezentos e sessenta e cinco dias haviam se transformado em um único e interminável crepúsculo. Para Mariana, o tempo não era mais medido por horas, mas pela cadência mecânica do respirador no quarto 402 da UTI. Lucas ainda estava lá, uma escultura de cera envolta em lençóis brancos, a pele tornando-se translúcida sob as luzes fluorescentes.
Ela o visitava religiosamente todas as tardes. Sentava-se ao lado da cama, segurava sua mão — agora mais fina e fria do que ela jamais aceitaria — e sussur