Eu não me mexi, em vez disso, inclinei a cabeça.
— Você quer que tudo isso — apontei para a pasta — seja enviado para a Polícia Federal? Para o conselho de ética da OAB que ainda não cassou sua licença? Para a esposa que você mantém na Zona Sul com o dinheiro da venda de remédios falsos para câncer?
Ele congelou.
O ódio nos seus olhos era agora misturado com um terror absoluto.
— Que diabos você é?
Pela primeira vez, dei um nome ao fantasma. Um nome que eu usava apenas nos cantos mais sombrios da internet, quando precisava me infiltrar.
— Pode me chamar de Pixel.
— Pixel — ele cuspiu o nome. — Você é só uma merdinha. Uma merdinha se achando hacker.
— Uma merdinha com suas bolas na mão — retruquei, calmamente.
Suspirei, como se estivesse entediada, e peguei meu celular do bolso. Fingi desbloqueá-lo, passando o dedo pela tela.
O movimento o deixou ainda mais nervoso.
— O que você vai fazer?
— Estou pensando se mando agora para a lista de contatos que tenho aqui, ou se espero você