A ideia era ao mesmo tempo hilária e aterrorizante. Hilária porque Raissa era a pessoa mais desorganizada e faladora que eu conhecia.
Aterrorizante porque… bom, porque era o Rodrigo.
— Boa sorte — disse, rindo de verdade agora. — Você vai precisar de muita, mas muita sorte mesmo. E paciência e talvez um colete à prova de olhares congelantes.
— Obrigada pelo apoio — ela revirou os olhos, mas sorriu.
— Mas falando em coisas que esfriam o coração… como você tá, depois do término? Paulo e eu tentamos te arrastar para algum lugar, mas você sempre fogia.
O humor entre nós mudou.
O ex-namorado dela terminou de forma tão brusca e cruel alguns meses atrás, no dia em que tínhamos marcado de nos encontrar justamente para Raissa desabafar.
Acabou que ela não apareceu, e eu fiquei sozinha no café com Paulo, só para depois descobrir o que havia acontecido.
Depois disso, com o novo emprego e a loucura da minha vida, mal tínhamos nos falado.
A expressão de Raissa ficou séria, mas não triste.