A caminhada até o ponto de ônibus foi uma tentativa frustrada de acalmar o caos dentro de mim.
Cada passo parecia ecoar o toque das mãos de Rodrigo na minha cintura, a pressão dos dedos dele na minha nuca, o sabor quente e desesperado daquela boca na minha.
Meu corpo ainda tremia por dentro, uma reação puramente física que eu não conseguia controlar.
Eu era virgem. Até então, o máximo de contato íntimo que eu tinha tido era comigo mesma, na solidão do meu quarto, imaginando… sei lá, cenas de filme.
Nada, absolutamente nada, tinha me preparado para aquela avalanche de sensações. A forma como ele me agarrou, como me beijou… não foi carinhoso, não foi romântico.
Foi selvagem. Como se ele quisesse me devorar, e a parte mais assustadora era que uma parte de mim queria ser devorada.
E então, a racionalidade voltava com um golpe mais duro, ele não estava bem.
Suado, confuso, com as pupilas dilatadas… Ele disse que tinha almoçado na casa da Aline.
A amiga de infância que olhava pra ele