O ciúme foi um soco no estômago, seguido por uma onda de raiva tão crua que me fez contrair os músculos para não me levantar de um salto e atravessar a mesa.
O que ele vai fazer com ela? O que ele vai conversar para ela?
Minha mão já se apoiava no braço da cadeira, meus músculos se preparando para o movimento, quando uma voz pequena e doce cortou a névoa vermelha.
— Papai? Pode cotar o bócolis pra mim?
Laura estendeu seu garfinho com um pedaço de brócolis, com seus olhos grandes e confiantes voltados para mim.
Parei e o mundo desacelerou.
Olhei para o rosto da minha filha, inocente de toda aquela guerra silenciosa, e depois para o corredor vazio onde Adriano havia desaparecido. A guerra interna foi violenta, mas rápida.
Com um suspiro rouco que veio das minhas entranhas, me virei completamente para ela, afastando meu corpo da tentação de ir atrás deles.
— Claro, princesa — disse, minha voz soando estranhamente suave.
Peguei a faca e o garfo e comecei a cortar o brócolis em pedaços a