(Visão de Rodrigo)
A luz da tarde entrava no escritório, iluminando a poeira no ar e não fazendo nada para melhorar meu humor.
Os números do relatório trimestral do Éclat dançavam na tela, mas minha concentração estava em outro lugar. Uma irritação surda e familiar, latejava nas minhas têmporas.
A memória do meu avô, firme e justo, fazendo o aperto de mão que selou o acordo verbal com o velho Jean, dono da maior fábrica de embalagens de luxo do sul do país.
Era um acordo de cavalheiros, baseado em confiança e qualidade. Algo que fazia sentido.
E então o velho Jean morreu dois meses atrás. E o neto, que estava Deus sabe onde, fazendo sabe-se lá o quê, voltou para herdar o império.
Agora, eu tinha que sentar com ele.
Renegociar, sorrir e fingir que a história complicada entre nós dois não existissem… Era um bem maior, para as duas fábricas. Ter os produtos produzidos diretamente daqui do Brasil, trazia mais economia para a empresa…
E eu não era meu avô, para deixar o orgulho atrapa