O banho tinha que ser gelado. Sentia a água quase congelante batendo nas minhas costas, tentando apagar a sensação de pele quente sob minhas mãos, o cheiro de perfume caseiro, a imagem daquela calcinha preta.
Funcionou por alguns segundos, mas depois, a imagem voltava, mais nítida, mais intrusiva.
Me vesti no piloto automático…
Camisa vinho impecável, calça de linho escura, o relógio que era mais uma armadura do que um acessório. Tudo perfeitamente controlado.
Por fora.
O carro parecia se dirigir sozinho ao apartamento da Priscila.
Um lugar decorado por um arquiteto de interiores, tudo em tons neutros, linhas retas e arte abstrata cara nas paredes.
Tão previsível quanto ela.
Ela abriu a porta já pronta, com um vestido vermelho, justo e decotado, um convite em forma de seda.
Seus cabelos estavam soltos e os lábios vermelhos como o vestido. Ela cheirava a uma mistura poderosa de flor de laranjeira, âmbar e algo sintético, doce.
O perfume da última campanha do Éclat, aliás.
— Rodr