O silêncio do meu escritório era o único alívio depois daquela reunião. Fiquei de pé diante da parede de vidro, tentando focar no horizonte da cidade e afogar o eco dos elogios a Mariana.
A porta do escritório se abriu sem um aviso. Apenas uma pessoa se atrevia a entrar assim sem esperar Gabriela me avisar…
Não precisei me virar para saber.
O cheiro do charuto caro e os passos pesados, já eram claros o suficiente para saber quem era.
— Pai. — disse, ainda olhando para a cidade.
— Rodrigo.
A voz de Nelson Ferreira era grave, carregada de uma autoridade que tentava, sempre, se impor sobre a minha.
Ouvi os passos dele se aproximando até parar ao meu lado, também olhando pela janela.
— O Éclat Ferreira parece estar brilhando. Por enquanto.
Engoli o comentário ácido, ele sempre fazia isso sobre a minha empresa.
Um elogio envenenado, um lembrete de que meu sucesso era sempre precário aos seus olhos.
Ele nunca perdoou ter criado algo por conta própria, sem usar o nome e o capital da r