Quando a Eliete apareceu na porta e anunciou que o jantar estava pronto, foi um alívio.
Pelo menos aquele silêncio carregado ia ser quebrado pelo som de talheres. Juntei as peças do quebra-cabeça rapidinho.
— Vamos, Laura. Hora de comer.
Ela pegou na minha mão e fomos para a enorme sala de jantar.
Eliete já estava colocando a travessa fumegante de lasanha no centro. Laura puxou a cadeira pesada ao lado da cabeceira, junto a cadeira de Rodrigo, e foi se sentar sua cadeirinha de criança adaptada e então apontou para a cadeira ao lado dela.
— Você senta aqui, Mali! — disse, toda animada.
Eu abri a boca para responder, mas a voz melosa e cortante da Aline me alcançou primeiro.
— Ah, não, meu anjo. A Mariana não vai sentar com a gente. Ela é a babá, uma funcionária e não é apropriado dividir a mesa com os patrões, não é mesmo? — ela falou isso olhando diretamente para mim, com um sorriso de dentes perfeitos que não chegava nem perto dos olhos.
Fiz uma cara de desgosto instantânea pra ela,