(Visão de Mariana.)
Depois daquela recepção de abraços e risadas na garagem, Laura me puxou pela mão por toda a casa, um furacãozinho de energia reprimida. "Olha meu quarto! Olha o quintal! Olha o balanço!".
Mas agora, no silêncio aconchegante do quarto dela, coberto de posters de animais e um cheiro doce de talco, a animação inicial deu lugar a algo mais calmo. E foi nessa calma que eu realmente vi ela.
Laura estava mostrando seus desenhos, uns rabiscos coloridos de nós duas de mãos dadas, com um sol enorme no canto.
— Esse é você, Mali! E esse sou eu! E esse é o papai lá no esclitório dele.... — Ela falava animada, mas a sua voz tinha um fio de cansaço que não era de criança que brincou demais.
Meu olhar, que antes só via a alegria do reencontro, começou a analisar. Ela estava com olheiras. Leves, mas lá estavam, um tom mais escuro sob seus olhos claros.
A pele, um pouco mais pálida do que eu lembrava. E quando ela se virou para pegar outro papel, o pijama que antes ficava justin