Nosso marido

Pov's Mary Jane

Interior/ Fazenda

12:00 PM

Meus pais queriam tanto se livrar de mim e da Anna, que fomos completamente enxotadas de lá.

Nosso marido levava em cima do cavalo as nossas bolsas, arrastando com a corda o animal.

Caminhávamos pelo mato, no meio do sol quente. Anna andava se arrastando, com dificuldade. Estávamos cansadas e com sede.

Bryan: Olha Anjinha....

O homem apontou com dedo, e paramos de frente a uma casinha em construção.

Os olhos claros dele brilharam ao visualizar o imóvel. 

Minha irmã se contorceu, quando ele pousou o braço no ombro dela. O contato, a fizera se encolher.

Bryan: É ali que vamos morar. Gostou?

Ele sorria alegre. Observava a reação da Anna, que não parecia feliz. 

Minha irmã começou a passar mal. Ela foi vomitar no meio dos matos.

Corri para ajudá-la.  

Bryan: O que está acontecendo com você, Anjinha? Por que está assim?

Mary Jane: Deve ser a quentura e o calor.

O respondi, e pela primeira vez fui notada. Seus olhos finalmente puderam me enxergar, já que era tratada como se eu fosse invisível. 

Ele se afastou, e foi buscar uma garrafa d'água na cela do cavalor.

Bryan: Entregue isso a ela.

O mesmo estendeu, e peguei, indo até perto da minha irmã.

Mary Jane: Tome isso, você vai melhorar.

A entreguei, e ela me mirou desesperada.

Anna: Eu não posso ficar com esse caipira.

O tom baixinho da sua voz ecoou, quase chorando. 

Mary Jane: Ele é o nosso marido agora, não há mais nada a fazer.

Anna: Olha o jeito dele, parece um jumento.

Os olhos aflitos da minha irmã repararam, julgando. Sua expressão facial, fez uma careta, como se o reprovasse.

Mary Jane: Anna, isso é pecado. — a reprendi.— Você não pode ofendê-lo assim.

Anna: É tudo culpa do papai, ele nos vendeu como se fôssemos uma mercadoria. 

Bryan: Tá chorando por que Anjinha?

A vi suspirar, quando foi mencionada. 

Mary Jane: Ela está cansada. Será podemos descansar um pouco?

Perguntei, e fomos caminhando até uma árvore que fazia sombra. Sentamos, encostando nossas costas no tronco. 

Comecei abana-lá, com um pedaço de papelão.

Mary Jane: Você vai ficar bem.— falei, vendo-a de olhos fechados. 

Bryan: Eu vou aproveitar que vocês estão aqui e vou lá dentro.

Ele prendeu o cavalo em volta da árvore e seguiu até a casinha; que estava sem janelas e sem porta. 

Mary Jane: Anna...

A chamei, cutucando o seu braço.

Anna: O que é, irmã?

Mordi meu lábio inferior, receosa pelo que ia falar.

Mary Jane: Nós duas teremos que ficar com ele?

Ela abriu os olhos rapidamente. 

Anna: Ah, e-eu não sei.

Mary Jane:  Eu nunca estive na presença de um homem.  Eu não sei nem beijar. E se eu ficar grávida do beijo?

A fiz pergunta em dúvida.

Anna: Para de fazer essas perguntas, Mary Jane, estou ficando com vergonha. A mamãe nunca conversou conosco nada disso.

Minha irmã virou a cara, encabulada.

(....)

Pov's Anna. 

Mary Jane era tão inocente, que não conhecia o pecado.

O caipira retornou e eu fingia que havia pegado no sono. Não queria atenção dele, mas ele insistia.

Bryan: Anjinha, acorda. Temos que ir.

Abri os olhos lentamente, enxergando o seu rosto a pouco metro de distância do meu. Dei um sobressalto, recuando para trás.

Bryan: Anjinha desculpa ter lhe assustado.

Me levantei, com os braços encolhidos. 

Bryan: Venha.— ele estendeu a mão, e fiquei fitando o gesto, assustada. — Pra que você não se canse de novo, suba.

Mesmo hesitante e sem querer ir, fui ajudada a montar no cavalo.

 Ele e minha irmã foram andando em pé, enquanto o próprio guiava o animal. 

Paramos de frente à baia.

Bryan: É aqui que eu moro.

Entreolhei para Mary Jane, fazendo uma careta. Era uma casa de cavalo, cheio de feno.

Bryan: Até que a nossa casinha esteja construída, vamos ficar abrigados aqui.

Desci do animal, com ajuda dele. E entramos no lugar. 

Vaguei atenção pro ambiente. Tinha uma rede amarrada, os fenos estavam espalhados no chão. Havia outro cavalo também.

 Mary Jane: É um lugar confortável. 

Minha irmã elogiou, querendo quebrar o silêncio ensurdecedor.

Anna: Onde vamos dormir?

Foi a única coisa que perguntei.

Bryan: Não se preocupe Anjinha, eu vou dar um jeito.

Ele até sorriu, quando o olhei de relance, estando de cara fechada.

Bryan: Eu vou cozinhar no fogão a lenha, para fazer algo para comermos. 

Mary Jane: Eu posso fazer.

Minha irmã se ofereceu e ele assentiu.

Os dois saíram pro lado de fora e fiquei lá parada. Não era aquela vida que eu havia sonhado para mim.

" Jesus, me ajuda" pensei mentalmente, sentido os vestígios de lágrimas escorrerem pelo rosto.

(....)

Pov's Bryan. 

Anjinha estava tão feliz, e eu mais ainda.

Bryan: Eu vou acender o fogão. 

Carreguei as madeiras e pus no chão. Comecei a fazer o fogo, enquanto a irmã da Anjinha ficava esperando.

Mary Jane: Você é missionário? 

Ela questionou de repente, e ergui o olhar, estando sem jeito de respondê-la. 

Bryan: Sim. 

Mary Jane: Faz muito tempo que você aceitou Jesus? 

Bryan: Eu era um viciado em bebida alcoólica, antes de conhecer a palavra de Deus. 

Contei o meu testemunho, envergonhado. 

Mary Jane: O senhor...

Bryan: Pode me chamar de Bryan.

A corrigi e a filha do pastor assentiu, timidamente.

Mary Jane: Frequentava outra congregação, antes de entrar para igreja de Jesus Cristo dos santos dos últimos dias?

Bryan: Não, conheci a fé, através dos mórmons. — neguei, acendendo o fogão a lenha.

Mary Jane: Jesus cura vidas.  Ele é o nosso maior Salvador.

A olhei nos olhos, notando a fé que transmitia nas palavras.

Bryan: O que a Anjinha gosta de fazer nos tempos livres?

Mudei de assunto, e a moça abaixou o rosto.

Mary Jane: Ela gosta de andar de bicicleta, mas a dela quebrou.

Bryan: Eu vou comprar outra para ela, não fale nada, vai ser surpresa.

Sorri, já imaginando como Anjinha iria reagir ao presente.

Mary Jane: Senhor, quer dizer... Bryan.— guei novamente a atenção, quando fui chamado.— O sonho da Anna é ir a uma escola, mas os nossos pais nunca permitiram. Ela queria muito aprender a ler.

Bryan: Vou levar Anjinha a escola.

A filha do pastor sorriu, e retribui ao sorriso. Ela era bonita, uma donzela formosa, mas não se comparava a minha Anjinha. 

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