Capítulo 4

Depois de mais algum tempo de viagem, finalmente paramos o carro no estacionamento onde David havia deixado reservado um espaço para o veículo durante os dias em que ficaríamos na região.

Cada um pegou sua mochila e seguimos em direção ao início da trilha.

O ar era fresco e carregava o aroma úmido da mata. O canto dos pássaros ecoava entre as árvores centenárias, enquanto a luz do sol atravessava as copas em feixes dourados, desenhando manchas de luz sobre o caminho de terra.

Mamãe e David caminhavam à frente, conversando e rindo como dois adolescentes apaixonados. Eu seguia logo atrás deles, enquanto Lucas mantinha um ritmo tranquilo alguns passos atrás de mim.

— Estão bem aí atrás? Conseguem acompanhar o ritmo? — David perguntou, olhando por cima do ombro.

Mamãe abriu um sorriso encantado ao observar a paisagem.

— Meu Deus... que lugar lindo!

Ergui os olhos e compreendi o motivo do encanto dela.

Do outro lado da montanha, uma imensa cachoeira despencava entre as rochas, formando um véu cristalino que brilhava sob a luz do sol. A água caía com tanta força que, mesmo àquela distância, era possível ouvir seu rugido misturado ao som do vento. A vegetação ao redor era de um verde intenso, e uma névoa fina se erguia da base da queda-d'água, criando a impressão de que aquele pedaço da serra havia saído de um cartão-postal.

Sorri, completamente fascinada pela beleza do lugar.

— É sim... estou adorando a vista que estou tendo. — ouvi Lucas dizer atrás de mim.

Franzi a testa.

Virei lentamente a cabeça e encontrei seu olhar.

Ele não estava admirando a cachoeira.

Estava olhando diretamente para mim.

Mais especificamente...

Para a minha bunda.

Revirei os olhos e soltei um suspiro irritado.

Lucas apenas arqueou uma das sobrancelhas e deixou escapar uma risada baixa, completamente divertido por ter sido pego.

Balancei a cabeça, fingindo indignação, e voltei a caminhar, concentrando-me novamente na paisagem.

Ainda assim...

Um pequeno sorriso insistia em surgir no canto dos meus lábios.

...

Tento disfarçar meu desespero quando vejo meu padrasto escolhendo os cavalos.

Meu estômago revira.

Nunca andei a cavalo.

— Helena, você sabe montar? — David pergunta, olhando para mim.

Engulo em seco, sentindo minhas bochechas esquentarem.

— Não... — murmuro, um pouco envergonhada.

David assente devagar e volta a observar os animais, claramente pensando em uma solução.

— Eu levo ela.

A voz de Lucas chama minha atenção.

Ergo o olhar e o encontro já montado em um dos cavalos. A maneira firme como segurava as rédeas e a naturalidade com que permanecia sobre a sela deixavam evidente que tinha muita experiência.

Por algum motivo, isso me tranquiliza... e me deixa ainda mais nervosa.

— Então vamos em duplas! — mamãe sugere, animada.

Meu coração dispara.

Dividir um cavalo com Lucas parece uma ideia assustadora.

E estranhamente tentadora.

— Tudo bem. Vamos em duplas. — David concorda.

Observo minha mãe subir primeiro no cavalo, acomodando-se na frente, enquanto David monta logo atrás dela.

Será que vou ter que ficar daquele jeito com Lucas?

Meu coração acelera só de imaginar.

Lucas conduz o cavalo até onde estou.

Preciso erguer bastante a cabeça para encará-lo. Visto dali de baixo, o animal parecia enorme, e isso só aumentava meu receio.

Lucas exibe um sorriso carregado daquele sarcasmo que já conheço tão bem.

— Vem. — diz, estendendo a mão para mim.

Respiro fundo.

Apoio uma das mãos na sela, coloco o pé no estribo e seguro a mão dele.

Seus dedos envolvem os meus com firmeza.

Com um único movimento, ele me puxa para cima, fazendo meu corpo perder o equilíbrio por um instante antes de eu me acomodar na sela, à frente dele.

Meu coração dispara.

Sinto Lucas se aproximar logo atrás de mim.

As mãos dele envolvem minha cintura apenas o suficiente para me posicionar corretamente sobre o cavalo, aproximando-me de seu corpo para que eu ficasse segura durante o percurso.

O calor que irradiava dele parecia atravessar minhas roupas.

— Fique perto de mim, pequena. Não vamos querer que nenhum acidente aconteça. — diz em um tom baixo.

Solto uma pequena bufada.

— Ficar perto de você já é um acidente.

Por um segundo, tudo fica em silêncio.

Então Lucas ri.

Uma risada baixa, sincera e divertida.

Em seguida, segura as rédeas com firmeza e faz o cavalo começar a caminhar lentamente pela trilha.

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