Capítulo 3

O caminho até o acampamento foi tranquilo.

Mamãe e David passaram boa parte da viagem conversando e rindo na frente do carro. Atrás, Lucas e eu permanecíamos mergulhados em um silêncio quase constrangedor.

De vez em quando, eu o observava discretamente.

Ele estava completamente concentrado no celular, respondendo mensagens e analisando alguns documentos. Pela expressão séria e pela forma como digitava sem hesitar, era evidente que ainda resolvia assuntos relacionados às empresas da família.

Não consegui conter um pequeno sorriso.

Era curioso vê-lo tão focado. Aquele lado responsável contrastava completamente com o homem provocador que parecia surgir sempre que estávamos sozinhos.

Talvez por sentir meu olhar, Lucas ergueu os olhos do celular.

Por um instante, nossos olhares se encontraram.

Então ele desviou a atenção para os bancos da frente.

— Com licença, senhor... senhorita Cela. Vou dar um pouco de privacidade para vocês. — disse em tom brincalhão.

Antes que eu entendesse o que ele pretendia fazer, Lucas apertou um botão no apoio de braço.

Com um leve zumbido, a divisória de vidro que separava os bancos dianteiros da parte traseira deslizou lentamente para cima, isolando completamente nosso espaço.

Agora, não conseguíamos mais ver nossos pais.

E eles também não podiam nos ver.

Meu coração acelerou sem motivo aparente.

Lucas voltou toda a atenção para mim.

Um sorriso de canto surgiu em seus lábios.

— Estava rindo de mim, pequena? — perguntou.

Mordi discretamente o lábio inferior.

De repente, responder aquela simples pergunta parecia muito mais difícil do que deveria.

— Só lembrei de uma coisa que me fez rir. — murmuro, desviando o olhar para a janela.

Percebo Lucas se aproximar.

O banco é espaçoso, mas ele escolhe sentar bem ao meu lado, diminuindo a distância entre nós até que eu consiga sentir o leve aroma de menta em sua respiração.

Meu coração dispara.

Com uma delicadeza que me pega completamente desprevenida, ele ergue a mão e segura meu queixo entre os dedos, fazendo-me voltar o rosto em sua direção.

Nossos olhares se encontram.

Estamos tão próximos que meus olhos vacilam por um instante, descendo involuntariamente até seus lábios. Quando percebo o que estou fazendo, volto rapidamente a encará-lo, sentindo minhas bochechas queimarem.

Um sorriso discreto surge no canto da boca dele.

— Gosta de me provocar, não é? — sussurra.

Respiro fundo, reunindo toda a coragem que consigo encontrar.

— Eu não provoco você. Se você se sente atraído por mim... não tenho culpa disso.

Por um breve segundo, o sorriso dele vacila.

Era como se não esperasse aquela resposta.

Então seus olhos ganharam um brilho divertido.

— Ah, é? — pergunta em um tom baixo, mantendo o rosto perigosamente próximo ao meu.

Sem soltar meu queixo, com sua outra mão, sinto ele tocando meu joelho. Engulo um seco, sentindo sua toque fazer descer uma descarga elétrica no meu corpo.

Tento virar o rosto para olhar o que ele pretende fazer, mas ele segura firme meu rosto.

— Olhe pra mim! — Ele sussurra.

Volto meus olhos a ele, sentindo ele subir lentamente a mão até minha coxa.

— O que está fazendo? — Questiono.

— Fecha os olhos! — Ele pede.

Arregalo os olhos.

— Como assim? — Murmuro.

— Pequena, fecha os olhos, confia em mim! — Ele diz.

Uma parte de mim se recusa, a outra está curiosa e se sentindo ousada. Fecho meus olhos, nervosa com o que ele quer.

— Sabia que na falta de um sentido, todos os outros ficam mais sensíveis? — Ele questiona.

Sua mão desliza lentamente passando pela minha coxa, subindo pela minha barriga. Meu coração está acelerado, parece que meu corpo está sentindo dez vezes mais as sensações que sua mão está me causando.

Ele desliza lentamente pelo meu seio, seu rosto se aproxima do meu pescoço, solto um suspiro com o arrepio que isso me causa.

Lucas se afasta rapidamente de mim quando o barulho da cabine de vidro surge, mostrando que seu pai está abaixando ela, provavelmente para falar com a gente.

Ainda estou ofegante, passo a mão nos meus cabelos, sentindo meu corpo quente.

— Estamos chegando onde vamos deixar o carro, vamos fazer uma trilha até onde vamos pegar os cavalos e seguir com os cavalos até onde vamos fazer o acampamento! — Seu pai diz animado.

Minha mãe se vira para nos olhar e ela me olha.

— Helena, está vermelha filha, talvez seja calor, abra a janela! — Ela diz.

Solto Lucas rir baixo e tenho vontade de bater nele. Abro a janela e tento me acalmar.

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