O "tempo" que Isadora pediu está me devorando por dentro.
Fecho os olhos.
A imagem chega sem avisar, com aquela nitidez específica das memórias que o corpo guarda de forma diferente da mente.
Isadora de pé no balcão da cozinha do meu apartamento, os pés descalços, o calcanhar batendo de leve na madeira num ritmo distraído. A camisa branca levemente aberta no colarinho. Os cabelos soltos, sem o coque de executiva, sem a blindagem do batom vermelho. Me olhando com aquela expressão que eu ainda não havia catalogado direito — não era admiração, não era gr