Lilian
O quarto ficou pequeno demais depois que Matteo saiu.
O silêncio não era paz era punição. Cada bip da máquina parecia um lembrete cruel de que eu estava viva enquanto ele caminhava, deliberadamente, para a morte. Fechei os olhos, tentando controlar a respiração, mas o ar parecia pesado, denso, como se meus pulmões precisassem lutar para funcionar.
Luto antecipado.
Eu não tinha essa palavra antes. Agora ela me consumia.
Chorar não era suficiente. A dor não vinha em ondas, era constante, surda, alojada no centro do peito. Era como se meu corpo já estivesse se despedindo de alguém que ainda respirava em algum lugar do mundo. E isso me enchia de culpa.
Porque parte de mim estava com raiva.
Raiva por ele ter ido.
Raiva por não ter me dado escolha.
Raiva por ter decidido por mim, pelos nossos filhos, pelo nosso futuro.
— Covarde… — murmurei, encarando o teto.
Minhas mãos foram até a barriga num gesto automático, protetor. Os bebês se mexeram de leve, como se respondessem à minha ag