Lilian
Minhas mãos estavam agora, manchadas de sangue. Sangue de um homem inocente.
Foi tudo culpa minha.
Minha, e de mais ninguém.
Arthur morreu por minha causa e essa verdade esmagava meu peito com uma constância cruel, como um castigo que se repetia a cada respiração. Não importava quantas vezes eu tentasse reorganizar os acontecimentos na minha mente, o desfecho era sempre o mesmo. Eu amei um monstro, e esse amor havia custado uma vida.
Eu não queria mais amar um demônio.
Não queria mais sentir esse medo paralisante, essa impotência que me corroía de dentro para fora. Havia dias em que desejei poder arrancar o próprio coração do peito, cravar uma lâmina sem hesitação, apenas para não precisar continuar sentindo. Porque amar Lucian era uma condenação perpétua. Amar Lucian era viver em guerra comigo mesma.
Perdi a conta de quantas vezes gritei. E eu gritei de verdade. Gritei até minha garganta arder, até a voz se dissolver em nada além de ar seco. Chorei até meus olhos doerem, até o