Lilian
Eu não sei exatamente quando comecei a perceber que o silêncio podia ser tão ensurdecedor quanto um grito. Talvez tenha sido naquela noite, quando o mundo parecia ter diminuído ao tamanho daquele quarto estreito, abafado, sem janelas — um espaço que parecia tão vivo quanto eu, respirando medo a cada segundo.
O suor escorria pelas minhas têmporas, e eu nem sabia dizer se era pelo calor, pelo pânico, ou pela maneira como Lucian me observava, como se estivesse estudando cada detalhe do meu rosto. Ele não falava. Apenas caminhava de um lado para o outro, com passos lentos e calculados, como se planejasse mentalmente o desfecho de algo que só ele compreendia. Eu tentava controlar a minha respiração, mas tudo parecia escapar pelas frestas da minha mente, como areia entre os dedos.
Arthur estava ali, ajoelhado, as mãos presas atrás das costas. Ele não conseguia me olhar, e talvez fosse melhor assim. Eu sabia o que vinha, não porque Lucian tivesse dito, mas porque eu já reconhecia aque