Capítulo 72 —Don Juan
Narrador:
Eros mordeu a língua, resmungando entre dentes.
—Isso não é coincidência... —sussurrou, como se falasse consigo mesmo —Há alguém que há anos vem movendo os fios para manchar a imagem do Diabo.
Mateo apertou o celular com força.
—Você tem alguma ideia por onde começar?
Eros se apoiou na grade da varanda, olhando para o jardim vazio.
—Tenho contatos na polícia. Talvez eu consiga os registros daquela batida... —sua voz soava calculista— ou até algum vídeo, algum áudio, qualquer coisa. Algo que nos tire da névoa.
Mateo assentiu, embora Eros não pudesse vê-lo.
— Faça isso.
— Mas escute bem, caramba. — A voz de Eros baixou de tom, afiada. — Nem uma palavra para o Diablo até termos algo concreto. Porque a última coisa que você quer é que seu pai descubra que você está bancando o Don Juan com a capitã da DEA.
Mateo soltou uma risada breve, incrédulo.
—Não é nenhum jogo, cara. —Eros ficou em silêncio, esperando. —Dinorah me interessa de verdade. —continuou o gême