Camila demorou alguns segundos para recuperar a própria respiração. Não pela intensidade do que acabara de acontecer, mas pela sensação estranha de que o mundo do lado de fora tinha se tornado distante demais, como se estivesse suspenso. O corpo ainda vibrava, a pele ainda carregava rastros do toque de Rafael e a mente tentava acompanhar tudo ao mesmo tempo: o documento sobre Ingrid, o medo, o prazer, o peso da verdade e o olhar dele logo antes de se render por completo.
Rafael vestiu a camisa primeiro, mas não pareceu interessado em abotoá-la; apenas passou as mãos pelo cabelo, tentando reorganizar o próprio controle, agora claramente abalado. Ele olhou para Camila como quem observa algo que acabou de marcar o corpo e a mente, como se viver aquilo tivesse mudado não apenas ele, mas a dinâmica entre os dois.
— Você precisa voltar para o quarto — ele disse, mas o tom não era uma ordem fria, e sim a voz de alguém que tinha medo real. — Não quero você sozinha em nenhum corredor. Nem por