Rafael entrou no escritório como quem invade um território inimigo.
Não acendeu a luz. Não fechou a porta. O ambiente permaneceu mergulhado numa penumbra cortada apenas pela iluminação externa que entrava pelas janelas altas, projetando sombras tortas sobre a mesa, as estantes, os quadros. Tudo ali carregava marcas de controle, ordem e domínio. Tudo ali tinha sido construído para obedecer a ele.
Naquela noite, nada obedecia.
Ele atravessou o espaço em passos largos e empurrou a cadeira com forç