Esteban tinha se acostumado a terminar o dia com o tablet na mão, passando as imagens das câmeras. Aquela noite não era diferente até que algo prendeu o olhar dele na tela da cerca lateral. Voltou alguns segundos, franziu a testa e se inclinou mais.
— Não… isso aqui não é sombra.
Recuou o vídeo, diminuiu a velocidade, deu zoom. A imagem era granulada, mas dava para ver um contorno grande, parado perto da estrada secundária, fora do ângulo principal dos holofotes. Pelo perfil, parecia caminhão.
Esteban levantou na hora, já com o tablet debaixo do braço. Encontrou Rafael no escritório, ainda de camisa, mangas dobradas.
— Temos visita indesejada — falou sem rodeios.
Rafael ergueu o olhar e esticou a mão.
— Mostra.
Esteban colocou o tablet na mesa, deu play.
— Cerca lateral, vinte e três e quarenta e dois. Repara aqui.
Um par de faróis apareceu de lado, depois o brilho sumiu quando o veículo parou num ponto em que só metade da carroceria entrava no quadro. Em seguida, nada.
— Algum caminh