A notícia não ficou restrita ao portal regional por muito tempo. Até o meio da manhã, outros sites tinham replicado a manchete, alguns com mais cautela, outros com prazer evidente em usar o sobrenome Villalba misturado a palavras como “adulteração”, “explosão” e “erro jurídico”. Na cozinha da Hacienda, a televisão ligada em volume baixo exibia um daqueles programas de notícia contínua, onde apresentadores alternavam falas técnicas com comentários que só serviam para inflamar quem assistia.
Camila estava sentada à mesa, uma caneca de café descafeinado entre as mãos, sem conseguir decidir se queria de fato beber ou apenas sentir o calor do líquido contra os dedos. Ingrid ocupava a cadeira ao lado, com os olhos fixos no televisor, as feições tensas e o corpo levemente inclinado para frente, como se quisesse entrar na tela e corrigir cada frase imprecisa.
Rafael encostava na bancada, de braços cruzados, sem desviar o olhar do noticiário. Estava sem paletó, camisa branca arregaçada, a grav