PENÉLOPE VERONESI
A primeira sensação que tomou conta de mim foi a do tecido áspero contra a pele nua. Depois de dias imersa no escuro, o simples contato me pareceu surreal, como se estivesse entre a vigília e o sono. Um toque suave, quase hesitante, percorreu meu corpo exausto. Minha mente, há muito tempo perdida no caos, começou a registrar o que estava acontecendo. Eu estava sendo levantada, carregada, envolta em algo que, por mais frágil que fosse, ainda assim me cobria. Não era mais o frio