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Capitulo 2- Reencontros e segredos

Helena acordou superanimada. Vai haver uma festa na cidade. Todo começo de férias escolares, a prefeitura organiza um evento na Praça Don Cícero, uma praça muito florida, com grandes e belas árvores, algumas com mais de cinquenta anos. Há também vários parquinhos infantis, áreas de esportes e um campo para eventos. Não é a praça central da cidade, mas é a mais frequentada, onde as famílias tomam chimarrão no fim do dia, enquanto as crianças correm desenfreadas por toda parte. É onde todos se encontram após um dia cansativo, para manter viva a união que só quem é dessa terra entende.

Helena já combinou de levar as crianças no começo da tarde, e à noite ela encontrará suas primas, pois os eventos noturnos são voltados para os jovens e adultos. Haverá muita música e bebidas de todo tipo.

A manhã passa rápido e, logo depois do almoço, todos estão prontos para irem à praça. Heitor e Júlia não cabem em si de tanta ansiedade, pulando e conversando sem parar. Assim que chegam, Luíza leva as crianças para a fila da cama elástica, e o pai vai cumprimentar alguns conhecidos que avistou. Helena vai até o banheiro e, ao sair da cabine, vê Maísa lavando as mãos na pia.

- Oi, Maísa. Tudo bem?

Maísa responde apenas com um aceno de cabeça, e Helena foca em lavar suas mãos. Depois de alguns segundos, Maísa vai até a porta de saída, mas para e se vira para Helena.

- Você e Dona Ana são muito amigas, não é?

Helena vira para ela e apenas concorda com um movimento de cabeça, voltando a secar as mãos em seguida.

- Ela deve ter torcido muito pra vocês ficarem juntos...

Helena estranha o rumo da conversa e encara Maísa.

- O que você está querendo dizer com isso tudo? Seja direta, por favor. Detesto rodeios.

- Só quero dizer que não sei o motivo de você ter voltado, mas quero deixar bem claro que, se pretende se unir com Dona Ana pra tirar o Jonas de mim, é melhor voltar de onde veio. Porque você não vai conseguir.

Helena fica incrédula com o que acaba de ouvir. Nunca foi de levar desaforo pra casa, e não será dessa vez.

- Pois então é a minha vez de deixar algo bem claro: se eu quisesse o Jonas, não teria ido embora há doze anos. Então fica tranquila, não tenho o menor interesse nele. Não vou destruir esse casamento esquisito pelo qual você tanto preza...

- Casamento esquisito? Do que você está falando?

- Eu sei que voce mente pra ele, você sabe muito bem como eu descobri que você tem um amante, aliás, todo mundo sabe o que você faz. Só fico curiosa pra saber quando alguém vai ter coragem de contar pra ele... Talvez eu conte, afinal de contas, ele não merece passar por essa humilhação.

Maísa fica pálida e em silêncio por alguns segundos.

- Você não seria capaz. Não sabe o que fala... Alias, vou te dar um conselho: não se meta no que não é chamada, ou terá que ir embora pra nunca mais voltar.

Helena dá um passo para trás, estupefata com o que acaba de ouvir.

- Você está me ameaçando, é isso? Minha querida Maísa, deixa eu te lembrar de uma coisa: essa é a minha terra. Eu nasci aqui, meus pais nasceram aqui, meus avós ajudaram a construir essa cidade. E você acha mesmo que tem algum poder no meu território?

- Muita coisa mudou depois que você foi embora...

- Nada muda tão drasticamente assim. Eu ainda conheço 90% desse povo. Cresci com eles, estudei com eles. Quando precisaram, foi na porta da minha família que bateram pra pedir ajuda. Acha mesmo que você, que nem é daqui, consegue ter algum poder sobre essas pessoas? Se põe no seu lugar de insignificância.

Maísa permanece calada, mas seu rosto vermelho denuncia sua ira. Ela abre a porta para sair do banheiro, mas Helena a impede.

- Antes de você ir, quero avisar só mais uma coisa: quer continuar a viver em paz com o Jonas? Então não me provoca. Faça de conta que eu e minha família não existimos e tudo ficará bem.

As duas se encaram por alguns segundos, o ódio crescendo entre elas. Então Maísa sai do banheiro, deixando Helena sozinha. Ela se olha no espelho e vê que, mesmo com sua pele morena, dá pra notar o quanto está vermelha. Depois de respirar um pouco, ela sai do banheiro, mas, no primeiro passo que dá, tropeça em alguém e quase cai.

Por um instante, sente braços fortes ao redor de seu corpo. Reconhece o perfume e, ao levantar os olhos, vê Jonas. Ele a segura com força contra o peito. Seus olhos verdes analisam cada detalhe do rosto de Helena. Suas bocas, tão próximas, tremem em um desejo proibido. Mas Helena logo cai em si e se afasta.

- Me desculpa. Vou tomar cuidado da próxima vez... Com licença...

Helena tenta sair, mas ele segura seu braço.

- Calma, Helena. Tá tudo bem?

- Sim, sim, está... Eu só preciso ir. Meu pai está me esperando...

Ele solta o braço dela e sorri. Helena havia esquecido o efeito que aquele sorriso sempre teve sobre ela. Por um instante, voltou ao passado, quando tinha 18 anos e tudo o que mais queria era ser o motivo daquele sorriso.

- Fiquei feliz de saber que veio pra ficar. Sinto muito pelo seu marido. Espero que ele esteja cuidando de você, onde quer que esteja.

- Eu sinto que ele está. Sinto como se ele nunca tivesse me deixado. Nosso amor foi único. Nosso casamento foi breve, mas nosso amor é eterno. Eu sei disso.

Ela fala sentindo cada palavra, lembrando do som da voz do marido e sentindo seu peito sufocar de saudade. Quando olha novamente para Jonas, ele está sério, de cabeça baixa.

- Era pra ser eu o seu marido... Se tivesse ficado... Se tivesse ficado, hoje os meus filhos seriam nossos filhos...

- Jonas, por favor, esquece isso. O passado deve ficar no passado...

- Como, Helena? Eu nunca deixei de te amar... E nunca perdi a esperança de ter você de volta...

- Mas agora é tarde. Você está casado, tem filhos. Eu jamais te perdoaria se abandonasse eles. Você sabe... ser criado sem pai não é justo pra nenhuma criança.

- Eu sei... Mas também não é justo eu te perder de novo. Não depois de esperar todo esse tempo. Sonhei com você, Helena. Sonhei com você durante todos esses anos...

- Se é justo ou não, eu não sei te dizer, mas sei que o que começa errado, termina errado. Você tem tua familia agora, tem um lar... Não posso chegar e me meter no meio de tudo como se eu tivesse direito a isso. Então recomendo que siga tua vida com a esposa que você escolheu: a Maísa...

- Maísa... Ah, se você soubesse...

- Soubesse... o quê?

Ele fica em silêncio e então encara Helena. Em seus olhos, é nítida a dúvida sobre lhe contar ou não. É evidente que esse segredo sufoca seu peito e rouba o brilho daqueles olhos verdes que sempre encantaram Helena.

- Pai! Pai! Olha o que o Marcos tá fazendo!

Um grito quebra o silêncio, e um menino loiro de uns oito anos puxa Jonas pelo braço. Helena aproveita a distração e se afasta, indo em direção ao parquinho onde está sua família.

A voz de Jonas e seu olhar cheio de mistérios não saem da mente de Helena. E agora, ela está disposta a tudo para descobrir o que está acontecendo com essa família esquisita que atravessou seu caminho.

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