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Capítulo 6: O Peso da Verdade

O silêncio nos corredores subterrâneos do Palácio de Cristal era quebrado apenas pelo som ritmado das gotas de água que caíam das pedras úmidas. Sloan caminhava com passos pesados, a capa escura arrastando pelo chão de pedra. A conversa com Eliz nas masmorras ainda ecoava em sua mente como um uivo de aviso. A submissão dela havia desaparecido; em seu lugar, havia apenas um rancor blindado. Mas o que mais o intrigava — e perturbava — eram as palavras dela sobre o incêndio. “Você virou as costas enquanto a sua amante tentava atear fogo ao meu corpo.”

Sloan não era tolo. Ele sabia que Eliz não inventaria uma acusação daquelas apenas por ferocidade. Havia uma verdade sombria oculta na noite da rejeição, uma verdade que seus próprios rastreadores e conselheiros haviam convenientemente abafado na época, alegando que o incêndio nos aposentos dos servos fora apenas um acidente infeliz causado por uma vela caída durante a tempestade.

Ele empurrou a pesada porta de ferro da sala de interrogatórios da guarda de elite. Ali dentro, amarrado a uma cadeira de metal sob a luz fraca de uma única tocha, estava Breno — um dos betas mais fiéis da família de Amanda, capturado poucas horas antes nas fronteiras tentando contrabandear relatórios da corte para o exterior.

Sloan aproximou-se devagar. Seus olhos azuis não tinham o brilho da realeza; eram as janelas de um predador faminto. Ele apoiou as duas mãos na mesa de ferro, inclinando-se na direção do prisioneiro. A aura de Alfa Supremo expandiu-se pela sala, exercendo uma pressão física tão violenta que o beta começou a tremer, os dentes batendo pelo comando de submissão mística.

— Eu vou fazer apenas uma pergunta, Breno — a voz de Sloan saiu baixa, um rosnado contido que vibrava no peito. — E o seu lobo interior sabe exatamente o que vai acontecer com você se você mentir para o seu Supremo. O que aconteceu na ala dos servos na noite em que rejeitei Eliz?

O beta engoliu em seco, tentando desviar o olhar, mas o comando de Sloan o forçou a encarar o Alfa.

— Foi... foi um acidente, Alfa— gaguejou Breno, o suor frio descendo pela testa. — As cortinas pegaram fogo por causa do vento na janela...

Sloan não respondeu com palavras. Em um movimento rápido e letal, suas garras se estenderam e ele cravou na mesa de ferro, rasgando o metal como se fosse papel. O estrondo ecoou na sala fechada.

— Última chance — Sloan sibilou, os olhos brilhando em um tom azul luminescente, o sinal claro de que seu lobo estava assumindo o controle. — Eliz falou sobre adagas de prata. Falou sobre executores. Quem mandou apagar os rastros dela antes que ela cruzasse a fronteira?

A pressão mística tornou-se insuportável. Sentindo as costelas prestes a esmagarem sob o peso do comando de Sloan, o beta cedeu, chorando de puro pânico.

— Foi a Lady Amanda! — o prisioneiro gritou, a voz ecoando em desespero. — Foi ordem dela! Ela pagou a mim e ao falecido guardião do templo para entrarmos pelos fundos. O Supremo a rejeitou no altar, mas a Lady Amanda disse que a existência de Eliz ainda era um risco, não sei por qual motivo. Ela queria o corpo carbonizado! Ela nos deu adagas de prata e mandou trancar a porta por fora para que Eliz não pudesse assumir a forma de loba e escapar do fogo!

Cada palavra que saía da boca do beta caía no peito de Sloan como um bloco de gelo sólido. O palácio inteiro pareceu girar. Ele se lembrou daquela noite. Lembrou-se de ter ido comemorar nos aposentos de Amanda após a humilhação pública de Eliz, acreditando que havia finalmente se libertado das amarras dos anciãos e da união forçada. Ele se lembrou do cheiro de fumaça subindo dos jardins traseiros e de como Amanda o abraçara com força, dizendo para ele não se preocupar, que os servos cuidariam do incidente.

Ela não estava celebrando a liberdade dele. Ela estava celebrando o assassinato que havia encomendado.

Sloan recuou um passo, a respiração subitamente descompassada. A culpa, o nojo e uma fúria avassaladora começaram a queimar suas veias. Ele havia sido usado. Ele havia jogado a sua companheira legítima — a mulher cujo sangue segurava a estabilidade de todo o território — direto nos braços de carrascos, enquanto cobria de joias e promessas a loba que tentou queimá-la viva.

— Supremo... por favor... eu apenas segui ordens — implorou o beta na cadeira.

Sloan nem sequer olhou para trás ao caminhar em direção à saída.

— Trranquem-no nas masmorras de isolamento — ordenou Sloan para os dois guardas de elite que esperavam do lado de fora, sua voz agora destituída de qualquer humanidade. — E preparem a guarda do salão. Eu vou até os aposentos da Lady Amanda.

A tempestade que se formava nos céus do Norte não era nada comparada à ira que o Supremo estava prestes a descarregar sobre a mulher que acreditava ter o controle da coroa.

 

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