Alexandre Moretti
A mesa tática no "aquário", ou a sala de segurança de alta tecnologia na cave da mansão Moretti estava coberta de diagramas, mapas de calor e os novos ficheiros que André acabara de extrair de um arquivo morto em Nova Iorque. O nome "Alice" estava escrito em vermelho no topo da lousa digital.
Dante Moretti observava, a expressão tão impenetrável quanto a minha. André Nascimento limpava uma peça de equipamento de escuta, o olhar focado.
A sala de segurança estava imersa naquela luz azulada que costuma acompanhar as minhas noites de insônia. Sobre a mesa, o rosto de Alice, uma jovem que deveria estar vivendo os seus trinta anos agora, parecia me cobrar por justiça. Eu joguei a pasta com o selo do consulado sobre o tampo de vidro. O som seco ecoou como um tiro.
— Ele é um assassino, pai. Não é "apenas" um abusador. É um predador que aprendeu a usar o sistema como álibi.
Dante Moretti, o homem que me ensinou que o poder é uma responsabilidade, cruzou os braços.