Alexandre Moretti
Eu nunca soube o que era o ódio puro até ver o cano daquela pistola encostado à têmpora de Elena. Naquele momento, no pátio frio do Palácio, cercado pelo som de sirenes distantes e pelo cheiro de asfalto úmido, o "Alexandre executivo" morreu. O que restou foi algo muito mais primitivo, cru e real.
Dante e eu tínhamos calculado cada movimento, cada possível ação que Ricardo poderia realizar, cada rumo que esse final de noite poderia ter tomado.
O choque de ver o pai confrontar Ricardo com o nome de Alice foi o catalisador que precisávamos para expor a raiva dele desgraçado. Eu vi, através do visor térmico que André operava, o momento em que Ricardo perdeu o chão. Ele não era um estrategista; era um predador de emboscada que, uma vez exposto à luz, só sabia fugir ou destruir o que estava ao alcance.
— Ele está saindo pela lateral, Alê — a voz de André soou no meu ponto eletrônico, fria e precisa. — Ele está levando a Elena. Ele está armado.
Senti um soco no estôm