Sebastian Viccari
O vidro da janela do meu escritório em Canary Wharf é à prova de som, mas o silêncio que ele retém hoje é sufocante. Daqui, eu vejo Londres como se fosse um mapa de conquistas que já não me interessam. Tenho o relatório de inteligência sobre Alistair Thorne em cima da minha mesa. Meus analistas fizeram o que fazem de melhor: escavaram o passado, encontraram a cicatriz, localizaram o fantasma dele.
Eu poderia destruí-lo. Eu tenho as informações necessárias para criar um escândalo que faria a família Thorne ser banida dos círculos sociais de Mayfair em uma semana. Eu poderia provar para Aurora que o "porto seguro" dela também tem fundações podres.
Mas, pela primeira vez na vida, eu não vou mover uma peça.
Eu a vi no parque ontem. Eu estava no carro, observando-os de longe. Vi a maneira como ela segurava o braço dele. Não havia a tensão elétrica que ela sentia comigo, não havia aquele arfar de quem espera o próximo golpe. Havia algo muito pior para mim: havia ca