Gabriel Ventura
O despertador do meu celular não tocou naquela manhã. Eu o havia desativado na noite anterior, um ato de rebeldia silenciosa contra a ditadura dos horários da Holding. Mas o sol de sábado em São Paulo não pede permissão; ele atravessou a fresta da cortina de linho do meu quarto com uma persistência dourada, iluminando o rosto de Sara.
Fiquei alguns minutos apenas a observando. Naquela luz, sem a maquiagem impecável de diretora ou as joias de família que pareciam servir como arm