Ricardo Fontes
O metal. O som que define a minha nova existência é o bater do metal. Três vezes por dia, a escotilha abre para uma bandeja de plástico com comida intragável. Várias vezes por hora, ouço o eco de passos que nunca param na minha porta. Eu, Ricardo Fontes, o homem que decidia o destino de infraestruturas bilionárias com um aceno de cabeça, agora dependo da boa vontade de um guarda que nem sequer se dá ao trabalho de olhar nos meus olhos.
Estou sentado neste colchão que cheira a mofo e desespero, vestindo um uniforme laranja que agride a minha pele como se fosse feito de arame farpado. O meu smoking italiano foi levado como "evidência". Levaram a minha roupa, levaram o meu relógio, levaram a minha dignidade. Mas o que mais me dói, o que me faz querer arrancar as unhas contra estas paredes de betão, é a percepção do silêncio.
Nas primeiras horas, eu gritei. Gritei o nome do meu advogado, gritei o nome do Governador, gritei promessas de riqueza e ameaças de morte. Eu tinh