Aurora Moretti
O silêncio na biblioteca da mansão era absoluto, interrompido apenas pelo som do relógio antigo que tinha no canto do escritório, mas dentro de mim havia uma tempestade. Eu tinha acabado de receber uma mensagem enigmática de Sebastian: "O teu irmão é mais perigoso com as palavras do que com o teclado. Ele tem um futuro como protector, mas precisa de aprender a não invadir territórios que não lhe pertencem."
O meu sangue ferveu. Eu sabia exatamente o que aquilo significava.
Sérgio tinha ido além. Ele não se limitou a apagar os logs; ele tinha ido ao covil do lobo. Ele tinha transformado o meu segredo — a minha vida — numa moeda de troca ou numa ameaça de "irmão mais velho".
Quando ouvi o som dos assobios dele no corredor, soube que era o momento. Abri a porta da biblioteca com tanta força que o som ecoou pelas paredes de madeira.
— No escritório. Agora — ordenei, com a voz tão cortante que vi o sorriso de Sérgio vacilar por um segundo.
Ele entrou, fechando a porta