Elena Sampaio
Eu estava a sair da galeria com Mariana após uma manhã produtiva a discutir a iluminação das obras. O ar estava fresco, e pela primeira vez eu sentia que o chão sob os meus pés não era feito de vidro quebradiço, mas de rocha sólida. Alexandre tinha ido a uma reunião, mas os seus seguranças estavam discretamente posicionados a alguns metros de distância.
Foi quando a vi.
Atrás de um poste de luz, como se estivesse à espera de uma oportunidade, surgiu uma mulher que eu mal reconheci. Não era a Beatriz Sampaio das colunas sociais, com o cabelo impecavelmente esculpido e jóias que ofuscavam a visão. A mulher à minha frente usava um casaco gasto, o cabelo estava seco e mal cuidado, e os seus olhos, antes gélidos de autoridade, agora ardiam com um desespero feio.
— Elena! — gritou ela, a voz saindo num tom agudo que me fez parar.
Mariana deu um passo à frente, protetora, mas eu coloquei a mão no seu braço. Eu precisava disto. Precisava de ver a minha mãe sem a armadura d