5_A dor vs amor

Lauryn estava em crise com Átila. A filha havia mudado completamente desde que soube a verdade sobre sua origem. Já não respeitava mais Bernard como pai e começou a postar vídeos nas redes sociais, na esperança de que seu verdadeiro pai visse e respondesse.

Lauryn fazia o que podia para manter o equilíbrio da casa, mas a situação fugia do controle.

— Meu amor — disse Bernard, tentando consolá-la —, você fez o que pôde. Tudo bem que demoramos pra contar a verdade pra eles, mas a Átila tem o jeito dela de reagir. Ela só precisa de tempo pra digerir.

— Eu errei ao esconder isso. Deveria ter contado tudo desde o início — Lauryn respondeu, aflita. — Mas agora ela está se tornando alguém que eu não reconheço. Desrespeita a gente, mal responde quando falamos, não se alimenta direito, chega à meia-noite quase todos os dias…

Bernard a puxou para um abraço, percebendo a dor da esposa.

— E não é só ela… — ele disse, com expressão preocupada. — Tem algo acontecendo com o Aquila também. Vi um vídeo ontem… o Zaac está doente. Ele precisa de um novo coração. Eu não entendo por que o Aquila não me contou isso.

— Deve estar em choque. É o melhor amigo dele. Isso abala qualquer um — respondeu Lauryn. — É compreensível.

Eles se abraçaram com força, e no silêncio do momento, sussurraram um “eu te amo” sincero, tentando encontrar consolo um no outro.

Enquanto isso, com Alex...

Átila havia brigado com ele naquele mesmo dia. A confusão com a mãe a deixara impulsiva, e tudo transbordou. Alex havia encontrado um pozinho suspeito dentro do bolso da jaqueta dela. Tentou conversar com calma, mas Átila o ignorou e saiu batendo a porta.

Apesar da decepção, Alex não contou nada a ninguém. Ele apenas mandou uma mensagem:

"Eu tô aqui. Não importa o que aconteça. Quando quiser conversar, me chama."

Alex conhecia o valor da presença, porque ele mesmo crescera sem isso. Seu pai, Alfredo, nunca quis tê-lo. Quando Luma, sua mãe, engravidou, foi forçada por ele a colocar o bebê no orfanato. Luma, antes de partir, pediu às irmãs Shirley e Magda que não deixassem ninguém adotá-lo, pois voltaria assim que possível.

Mas o destino teve outros planos. Luma adoeceu e faleceu antes de poder voltar. Alex nunca conheceu sua mãe. Seu pai desapareceu e nunca mais apareceu.

Cresceu no orfanato até os dezoito anos, quando teve que se virar sozinho. Trabalhou duro, estudou, conseguiu uma bolsa em uma faculdade fora da cidade e, por sorte, se manteve. Agora, estava namorando Átila e cursando a faculdade. Ganhou uns dias extras, mas teria que voltar na próxima semana.

Preocupado com o estado de Átila, ele a convidou para ir até sua casa. Ela foi. Chegou cabisbaixa, mas sóbria. Pediu desculpas.

— Prometo que isso nunca mais vai se repetir, Alex — disse, com os olhos marejados.

— Sabe que aquele pozinho pode te matar, né? Pode viciar, acabar com tudo que estamos construindo.

— Foi um momento de loucura, de desespero! Eu nunca mais vou tocar naquilo. Por nós. Não tá sendo fácil, minha família não é mais minha família.

— É claro que é! — Alex respondeu, segurando suas mãos. — Você não precisa fazer tudo isso. Não precisa se desesperar. Eu volto pra faculdade na próxima semana e... eu não quero te deixar assim.

— Acha que é drama? — ela gritou, levantando-se. — Você não entende! Estou sofrendo! Você não tem noção do que estou passando!

Alex respirou fundo, levantando-se também. Sua voz firme, mas serena.

— E você tem noção, Átila? Você tem uma mãe e um pai que te criaram com amor. Eu entendo sua dor, mas você também precisa entender a minha. Minha mãe morreu antes que eu pudesse conhecê-la. Meu pai nunca me procurou. Cresci num orfanato, aprendi a sobreviver sozinho. Quando fiz dezoito, saí de lá sem ter ninguém me esperando.

Ele engoliu em seco.

— Quando te conheci, minha vida começou a fazer sentido. Mas eu nunca me revoltei contra quem cuidou de mim. Nunca reneguei meu pai, por mais que ele tenha me abandonado. Nunca procurei coisas erradas pra tentar anestesiar a dor. A dor me ensinou. E agora eu tô aqui com você, pronto pra te ajudar. Mas quero que você passe por essa fase ciente… limpa.

Átila chorou. As palavras dele a cortaram por dentro, mas também a alcançaram. Sentiu-se envergonhada, mas, pela primeira vez, realmente ouvida.

Ela o abraçou e confessou.

— Eu não quero te perder, Alex.

— Então fica. Mas fica por inteiro, Átila.

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