Mundo de ficçãoIniciar sessãoÁtila não sabia daquela parte da história de Alex. Apenas saiu calada, o olhar vazio, sem encarar ninguém. O coração parecia pesado demais para continuar ali.
Ao perceber o que tinha revelado, Alex chorou. Chorou com a alma. Sentiu o arrependimento o consumir por inteiro. Jamais quis magoá-la, e ainda assim, suas palavras tinham sido como facas. Justamente ela — a mulher que ele mais amava — fora ferida pelas próprias mãos. Nos dias seguintes, Átila não ligou. Não respondeu mensagens. E também não apareceu em casa. Alex, aflito, tentava dormir, mas o sono não vinha. As horas passavam lentas e a saudade o sufocava. No terceiro dia sem notícias, ele decidiu procurá-la. Bateu à porta da casa dela. Lauryn, com olheiras profundas e o semblante tenso, atendeu. — Pensei que ela estivesse com você — disse, nervosa. — Ligou dizendo que passaria esses dias contigo. Alex empalideceu. — Não… ela não está comigo. Lauryn levou a mão à boca, assustada. O ar da casa pareceu pesar. A preocupação tomou conta de todos. A família se reuniu imediatamente. Alex avisou que teria que voltar para a faculdade em dois dias, mas prometeu que não sairia dali sem saber onde Átila estava. Naquela noite, ninguém dormiu. Sentaram-se na sala, entre xícaras de café frias e olhares aflitos, tentando conversar sobre qualquer coisa que distraísse o medo. O relógio marcava três da manhã quando Lauryn suspirou: — Se até o amanhecer não houver notícia, chamamos a polícia. Lauryn como mãe estava super aflita. Durante uma conversa mais íntima, Alex comentou: — Sabemos que Átila está assim por causa da história do pai… mas o Aquila? Ele parece tão calmo, mesmo triste. Lauryn abaixou os olhos triste pelo filho. — Calmo por fora — murmurou. — Por dentro, ele está em luto. O melhor amigo dele, o Zaac, está morrendo… precisa de um novo coração. E até agora, nada. Aquila está se despedaçando. Alex se aproximou e tocou no ombro dela. — Sinto muito. É uma dor que ninguém devia passar. Lauryn respirou fundo, as lágrimas começando a cair. — E como se não bastasse, a Átila se afastou desse jeito… nem olha mais nos meus olhos. Eu só queria que ela entendesse que tudo o que fiz foi por amor. O silêncio tomou conta do ambiente, até que, de repente, ouviram a maçaneta girar. A porta se abriu devagar. — Átila! — exclamou Alex, levantando-se de um salto. — Meu amor, onde você estava? Lauryn correu até ela, o alívio estampado no rosto. — Filha? Mas Átila apenas os ignorou. Subiu as escadas sem dizer uma palavra, deixando para trás o som seco dos próprios passos. Nenhuma explicação. Nenhum olhar. No dia seguinte, Alex precisava retornar à faculdade. O clima entre eles permanecia denso, pesado. Ele tentou se despedir, mas Átila não quis falar com ele. Nem mesmo olhou. Cinco dias depois, uma notícia inesperada chegou: Zaac receberia um novo coração. O órgão viera de outro hospital, enviado com urgência. Junto dele, havia uma carta, mas os médicos decidiram manter em sigilo até que Zaac se recuperasse totalmente. Enquanto isso, Alex havia parado de mandar mensagens. Nenhum “bom dia”, nenhum “sinto sua falta”. Sumiu. E Átila, orgulhosa, também não quis saber o motivo. Duas semanas se passaram. A saudade começou a rasgar o peito dela. À noite, pensava nele, no jeito sereno com que falava, no toque carinhoso das mãos. A ausência dele era um eco constante, e, pela primeira vez, Átila percebeu que nunca tinha tentado realmente entender o lado dele. Decidida a reaproximar-se, mandou mensagens, áudios, até uma longa declaração. Esperou. Nenhuma resposta. O coração acelerou. Algo estava errado. Na manhã seguinte, pegou o ônibus e foi até a casa dele. Bateu várias vezes, chamou, esperou. Ninguém atendeu. A sensação de vazio começou a crescer dentro dela. Então resolveu ligar para a faculdade. — Alô, é da Faculdade Cristovam Ribanny? — perguntou, tentando disfarçar o nervosismo. — Sim, em que posso ajudar? — Gostaria de falar com o aluno Alex Benatt, por gentileza. Houve uma pausa longa do outro lado da linha. Um silêncio que pareceu durar uma eternidade. — Me desculpe… — a voz soou trêmula. — Esse aluno não se encontra mais aqui. Ele foi vítima de um assalto há quase duas semanas… morreu depois de dois dias internado. Sinto muito. O telefone escorregou da mão de Átila e caiu no chão. O barulho do impacto ecoou, mas ela nem percebeu. Ficou imóvel, o rosto completamente branco. A respiração falhou. Correu até a faculdade. Chegando lá, confirmou tudo. Viu fotos, registros, o nome dele entre os estudantes falecidos. Alex realmente tinha partido. Com a voz trêmula, apresentou-se como namorada, perguntando por que não fora avisada. — Ele nunca informou contatos de emergência — explicaram. — Aqui, todos o conheciam como o menino órfão que batalhou sozinho por tudo. Átila fechou os olhos, tentando conter o choro. — Ele nunca falou de mim? Nesse instante, uma garota ruiva, de olhos azuis, aproximou-se devagar. — Falou, sim — disse, com um sorriso triste. — Era visível que você era o amor da vida dele. A jovem estendeu uma pasta, com o nome Átila escrito à mão na capa. — Ele pediu pra entregar, caso algo acontecesse com ele. As mãos de Átila tremiam. O nome dela, escrito pela letra dele, parecia pulsar. E, pela primeira vez, ela sentiu que o coração dele ainda estava ali — batendo dentro dela, em silêncio.






