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O Secretário do CEO
O Secretário do CEO
Por: Cristinna Ramos
Meu chefe é um desgraçado

Han Taeju

O reflexo no espelho estava satisfatório. Como um bom secretário, eu precisava estar alinhado, não havia uma ruga no meu terno sob medida de três peças. O tecido cinza escuro de uma marca italiana combinava bem comigo.

Fechei o relógio no pulso, que era de uma marca conhecida e cara. Lindo. Deixava qualquer um elegante. Não passei perfume, havia apenas o cheiro suave da loção pós barba. Meu chefe não gostava de perfumes além do dele, foi ele também que comprou essas roupas elegantes e o relógio.

Eu me senti um pouco humilhado quando, no meu primeiro dia, fui inspecionado com uma expressão de desdém. Mas eu não achei ruim quando ele me mandou ir à loja que o vestia pessoalmente.

Depois de conferir minha maleta e dar os últimos retoques em frente ao espelho, saí do quarto. Os sapatos escuros estavam alinhados e lustrados próximos a saída, eu até podia ver meu reflexo neles.

Suspirei ao olhar para a porta fechada.

Era para ser um emprego comum, mas o detalhe era que…

“Meu chefe é um desgraçado…”

Abri a porta com desgosto e saí do apartamento. Aquele bastardo louco me fazia trabalhar quase vinte e quatro horas por dia!

Eram seis da manhã de uma sexta-feira e já estava pondo o pé fora de casa. Bem, era assim todo o santo dia e já não me lembrava mais de como era ter um emprego normal.

O elevador abriu sem demora e apertei o botão para estacionamento. Saía tão cedo que nunca encontrava nenhum vizinho.

As portas abriram novamente no estacionamento, em poucos passos estava em frente ao sedã luxuoso preto, até mesmo os vidros eram escuros, sem a menor necessidade.

Mas enfim, o carro não era meu e sim do meu chefe que, displicentemente, colocou na minha mão.

Havia um motorista, mas ele estava de licença médica. Eu o substitui emergencialmente, mas meu chefe não viu razões para contratar um temporário. Isso já estava completando uma semana.

Parecia que eu dirigia uma bomba. Mesmo que eu ganhasse bem, não teria dinheiro para pagar quaisquer serviços daquele carro, então eu só podia torcer para não sofrer nenhum acidente. Se acontecesse, talvez minha morte não fosse suficiente para pagar a dívida.

Que carma. Bem, mas considerando tudo, dirigir era o de menos.

Em exatos vinte e cinco minutos, eu estava entrando na garagem do prédio onde ficava o apartamento dele. Era quase cronometrado, às sete horas da manhã eu deveria acordá-lo.

Olhei-me no pequeno espelho retrovisor, ajeitei minha franja e ensaiei um sorriso singelo, sem mostrar os dentes. Não importava o quanto estivesse puto, jamais poderia demonstrar.

Inclusive, eu precisava parecer másculo e controlado, coisa que eu não era nem um pingo. Mas fingia ser.

Digamos que eu trabalhei duro para ser uma pessoa discreta, afinal, a sociedade podia ser muito tóxica e eu almejava estar em uma empresa tradicional que, acima de tudo, valorizava os frutos colhidos pelo esforço de um funcionário que sonhava crescer na carreira.

Queria muito deixar meus pais orgulhosos, já que nunca fomos ricos. Acontece que eu não ia conseguir nada disso se mostrasse meu lado… digamos alegre. E eu não queria dar murros em ponta de faca toda vez que sofresse algum preconceito.

A lei até podia conseguir calar as bocas, mas os olhares preconceituosos permaneciam. Então, por minha única escolha, apenas me moldei para me enquadrar no ambiente que desejei entrar.

Não era que eu estivesse mentindo. Veja bem, ninguém tinha nada a ver com minha vida privada, eu não precisava anunciar abertamente.

Seguindo essa lógica, fui um estudante e um funcionário discreto, consegui alcançar muitos objetivos. Com um bom salário que recebia, conseguia ajudar meus pais e até contribuí generosamente para a compra da casa dos sonhos para eles.

Claro, ainda faltava algum tempo para terminar de pagar e eu também precisava viver com algum conforto. Se eu trabalhar assim por mais três anos, conseguirei terminar tudo e só então, poderei dar um chute no traseiro do meu chefe.

Não literalmente, mas ficarei feliz em imaginar a cena enquanto entrego minha carta de demissão.

Bem, mas voltando ao ponto, de jeito nenhum eu poderia tremer na base. Minha voz não poderia afinar e eu não poderia sequer olhá-lo com desejo devido ao seu bom físico e rosto bonito.

Aos olhos do meu chefe, eu era hetero e ponto final. Ele também era, mas no caso dele, de verdade. Nunca o vi sair com um homem.

De qualquer forma, não custava nada ser prevenido. Eu poderia usar minha maquiagem em casa nos meus raros momentos de folga ou quando conseguia sair para uma boate.

Saí do carro e respirei fundo antes de seguir para o elevador. O apartamento era na cobertura de um prédio de vinte andares, então eu tinha tempo de sobra para me preparar até chegar lá.

Momentos depois, o elevador abriu já dentro do apartamento e ri internamente. A eficiência parecia estar nos meus genes, mas na verdade, quase derramei meu sangue para poder aprender tudo. Foi desesperador.

Agradecia todos os dias por ainda estar bem psicologicamente, mesmo que de forma precária.

Tirei meus sapatos na entrada e olhei o apartamento luxuoso. A luz entrava em abundância pelas grandes paredes de vidro, uma imagem espetacular de Seul, era possível até mesmo ver o Rio Han. Mas eu não tinha prazer algum em estar aqui.

Conferi as horas e tirei o paletó. Eu tinha alguns minutos para deixar sua primeira refeição do dia pronta. Certamente ele confiava muito em mim, pois eu poderia facilmente colocar veneno na sua comida.

Claro, isso seria um crime, mas nunca se sabe.

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