Taeju
Entrei na cozinha e coloquei o avental. Estava tudo pré-preparado, eu deixava as coisas organizadas para a semana inteira e sabia de todos os pratos que ele gostava de comer, então procurava planejar e variar no cardápio.
Além disso, ele tinha o estômago sensível, até mesmo para comer fora era problema meu. Eu praticamente inspecionava a comida preparada nos restaurantes que ele frequentava.
Ao longo do tempo, isso se tornou automático.
Alguns minutos depois, estava tudo encaminhado. Tirei apenas o avental e subi para o segundo andar.
Como esperado, seu quarto estava vazio. A colcha escura bem esticada era tão alinhada como a de um hotel. Felizmente, eu não precisava arrumar a casa diariamente, havia uma equipe que fazia esse trabalho.
No entanto, se eles cometessem algum mínimo erro, eu seria o responsável, já que era eu o administrador dos serviços domésticos. Só me restava rezar diariamente para que meu chefe meticuloso não encontrasse sequer um grão de poeira em algum móvel.
Suspirando, entrei no closet bem organizado.
As roupas estavam milimetricamente alinhadas, seguindo padrões de cores e tamanhos. Às vezes eu me imaginava surtando e tirando tudo do lugar. Seria engraçado ver a cara dele.
Bem, mas eu não podia fazer isso porque ainda precisava de um salário no final do mês.
Resignado, escolhi o terno do dia, ele já estava composto por todas as peças necessárias, incluído a gravata. Eu mesmo arrumei tudo para que ficasse prático para mim.
Também precisei estudar sobre moda e principalmente, os gostos exigentes do meu chefe abusivo.
Ele ficava absurdamente lindo dentro daqueles ternos feitos sob medida, mas era como uma fruta bichada por dentro. Você só descobre que o bicho está lá, depois que morde um generoso pedaço.
Acomodei o terno em um gancho externo e abri a gaveta do móvel de centro. Os relógios estavam em pequenos compartimentos almofadados, escolhi um que iria combinar e deixei sobre o tampo de vidro.
Agora só faltava acordá-lo.
Atravessando o corredor principal, cheguei no seu segundo quarto. Normalmente, ele amanhecia ali, pois não levava ninguém para a sua cama, e ele tinha a vida bastante ativa. Bem diferente de mim.
Respirei fundo antes de abrir a porta sem aviso e arrastar a cortina. A mulher resmungou por ter a claridade batendo na cara e meu chefe nem ao menos se mexeu. Ele tinha um sono pesado, principalmente depois de se “exercitar”.
Era ridículo ter que acordá-lo. O homem tinha trinta e cinco anos, cinco anos mais velho que eu, e precisava de uma babá. Estava nu, como sempre. Pelo menos havia um lençol cobrindo até acima do seu volume.
— Senhor, já são sete da manhã. — Dei meu melhor sorriso simpático e esperei com paciência.
— Hm…
Kang Dojin, esse era o nome do meu chefe. Ele era o filho mais novo de uma família líder no mundo dos negócios. O CEO de uma das maiores empresas do país e com investimentos em várias partes do mundo.
Lindo. A pele clara marcada por músculos definidos não tinha nenhuma mancha, os cabelos escuros que normalmente ficavam bem penteados para trás, mesmo agora pela manhã, estavam ridiculamente em ordem.
Mas era apenas isso, pois, apesar de ser um adulto, seu temperamento era desagradável. Um chefe abusivo que ainda não tinha aprendido como tratar as pessoas.
Ele abriu os olhos e me encarou longamente, talvez estivesse dormindo ainda, mesmo assim, permaneci com minha atenção em seu rosto. Embora eu já tivesse visto seu corpo nu inúmeras vezes… Inclusive, suas partes baixas eram bem do meu tipo.
Um tamanho acima da média… com veias salientes e levemente escuro, assim como os pelos grossos bem aparados.
Mas um território proibido que eu não podia ousar desejar.
Finalmente, ele levantou, ignorou-me como de costume e desfilou até sair do quarto. Havia restado a mulher na cama que eu tinha que acordar. Suspirei
Por que eu me sujeitava a isso?
Uma pergunta besta, meu salário tinha números o suficiente para me dar uma vida boa, mas era uma pena que eu não tivesse tempo para usufruir.
Dei a volta na cama e acordei a mulher sem muita delicadeza, mas ofereci meu melhor sorriso quando os olhos borrados de maquiagem me olharam com espanto.
Essa era nova, mas não me interessava saber sequer o seu nome. Por isso, apenas a instruí que se levantasse e fosse embora antes que meu chefe terminasse o banho.
Alguns minutos depois, eu estava arrumando o café na grande mesa de jantar.
Ele desceu na hora exata e se sentou no lugar de sempre, à cabeceira da mesa. Servi seu chá e me questionei novamente se valia a pena fazer tudo isso por um bom salário.
Na verdade, eu não me formei para ser secretário, e sim na área administrativa. Eu tinha sonhos simples, queria apenas trabalhar em um emprego normal e estar na corrida com aqueles que desejam bons cargos conquistados com esforço e suor.
Tudo bem por isso, normalmente entramos pequenos nas grandes corporações e depois podemos conquistar cargos de liderança.
E foi assim no início. Passei na seleção de empresa conceituada, me destaquei e fui promovido algumas vezes até aceitar uma boa oportunidade em outra empresa que iria me pagar melhor.
Eu fui seduzido por condições melhores de trabalho e no início até acreditei que minha vida daria um salto. Então, ignorando a má fama daquela empresa, eu assinei o primeiro contrato.
Naquela época, eu era inocente e por não ter contato direto com o CEO, achei que seria apenas uma formiga trabalhadora que trocava suas horas de vida por dinheiro. Eu não precisava gostar do meu chefe.
Mas em um fatídico dia, durante uma reunião de rotina, Dojin chamou a atenção da sua secretária na frente de todos. Então ela surtou e jogou uma pilha de papeis na cara dele.
Não bastasse isso, ela o mandou para aquele lugar que não poderia ser mencionado em um local de trabalho.
No entanto, ele apenas sorriu daquele jeito arrepiante e permaneceu sentado enquanto tentávamos conter a mulher enlouquecida por anos trabalhando para aquele ser.
Bem, depois disso, eu fui promovido para ser seu secretário pessoal e na verdade, a culpa de estar aqui hoje nessa situação era minha.
Eu aceitei assinar um contrato com o demônio. Foi o meu segundo contrato assinado nesta empresa e eu espero que a próxima coisa que eu assine seja a minha demissão.